O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo, mas produziu apenas 2 mil toneladas do minério em 2025, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). A China, dona da maior reserva do planeta, extraiu 270 mil toneladas no mesmo período.
A produção chinesa equivale a cerca de 99,5% do total mundial. O grupo de 17 elementos químicos é usado em carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares.
Em 2025, a China concentrava cerca de 85% do refino mundial, enquanto os Estados Unidos buscavam alternativas para reduzir a dependência da produção chinesa, segundo o g1.
As reservas brasileiras somam 21 milhões de toneladas de óxidos de terras raras, atrás apenas da China, que tem 44 milhões, aponta o USGS. Os depósitos estão em cinco estados: Minas Gerais, Goiás, Amazonas, Bahia e Sergipe, com destaque para Araxá e Catalão.
Por que o Brasil só extrai e não refina
O Brasil concentra reserva grande, mas carece de tecnologia e estrutura industrial para processar o minério extraído. O preço varia por elemento: em 2025, o quilo do óxido de neodímio processado, usado em ímãs de alta potência, custou em média US$ 73.
Esse é o ponto que mais preocupa o governo brasileiro. "O Brasil não quer ser só exportador de matéria-prima", disse o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, ao programa Bom Dia, Ministro, da EBC.
Segundo o ministro, os minerais "têm que servir para a industrialização", e criar legislação específica é fundamental para reduzir dúvidas sobre a destinação de ativos estratégicos.
Publicidade
A fala ocorreu no contexto da compra da única mineradora de terras raras do país pela americana USA Rare Earth, negócio que soma cerca de US$ 2,8 bilhões.
A mineradora é a Serra Verde, de Goiás, que também recebeu um financiamento de US$ 565 milhões da agência de desenvolvimento dos Estados Unidos, a DFC, anunciado nesta quarta (28).
O empréstimo tem prazo de 12 anos. O primeiro desembolso, de US$ 325 milhões, já havia sido liberado em março. A meta é produzir 6,4 mil toneladas de terras raras por ano a partir do fim de 2027.
O que acontece agora
A Serra Verde também fechou contrato de 15 anos para fornecer 100% de quatro terras raras magnéticas a um fundo bancado por agências do governo americano e capital privado, com preço mínimo garantido para cada elemento.
No Congresso, o Senado já aprovou lei que dá ao governo poder de veto sobre negócios envolvendo minerais críticos considerados estratégicos.
O desafio seguinte é o de sempre: transformar a disputa bilionária entre China e Estados Unidos em investimento, tecnologia e empregos qualificados dentro do Brasil, sem repetir o padrão histórico de vender a matéria-prima barata e importar o produto industrializado de volta.































