O Ministério da Fazenda aprovou nesta terça-feira (27) a garantia do Tesouro Nacional a um novo empréstimo de R$ 7 bilhões para os Correios, negociado com quatro bancos privados. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta quarta (28).
A garantia soberana significa que, se os Correios não pagarem a dívida, é a União quem honra o compromisso com os bancos: Banco ABC, Citibank, Deutsche Bank e J.P. Morgan.
A previsão é liberar R$ 5 bilhões na assinatura do contrato e mais R$ 2 bilhões até dezembro.
O empréstimo soma-se a outro de R$ 12 bilhões, contratado no fim de 2025, também com aval do Tesouro. Juntos, os dois resgates somam R$ 19 bilhões, perto do teto de R$ 20 bilhões que o próprio plano de reestruturação previa precisar.
Por que a dívida não resolve o problema
Mesmo com o primeiro socorro de R$ 12 bilhões já em caixa, os Correios perderam R$ 5,55 bilhões só no 1º semestre de 2026, alta de 30,36% sobre o prejuízo do mesmo período de 2025. Foi o 4º ano seguido no vermelho desde 2021.
O padrão se repete: o dinheiro emprestado cobre o caixa, mas o prejuízo operacional segue crescendo de um balanço para o outro.
O TCU já questionou o rito usado para aprovar o empréstimo anterior. Em maio, apontou que a União assumiu "risco fiscal relevante" ao conceder a garantia de 2025 sem aprofundar a análise da capacidade de pagamento dos Correios.
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O tribunal pediu apuração de responsabilidades no Tesouro, e a Advocacia-Geral da União recorreu da decisão.
Desta vez, o Tesouro convidou auditores do TCU para acompanhar os trâmites da nova operação, sem que isso configure uma auditoria formal.
O plano de corte que emperra
O plano de reestruturação (2025-2027) previa cortar R$ 4,2 bilhões por ano em despesas, aumentar receita em R$ 1,7 bilhão e vender R$ 1,5 bilhão em imóveis, além de um PDV para até 7 mil funcionários.
Mas parte das medidas foi suspensa diante de ameaça de greve dos trabalhadores, em julho. O fechamento de agências também foi adiado.
Quem paga a conta se os Correios não pagarem
A garantia da União transforma a dívida dos Correios em risco fiscal do país inteiro. O TCU já disse que o aval de 2025 foi dado sem análise aprofundada da capacidade de pagamento da estatal, e a nova operação tem condições quase idênticas.
Enquanto o prejuízo segue subindo e parte do plano de corte de custos continua suspensa, a pergunta que o TCU colocou em maio segue sem resposta.































