O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) protocolou nesta quarta-feira (28) o pedido de registro da vacina contra a varicela, a catapora, na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Se aprovado, o instituto vai fornecer 7 milhões de doses ao SUS em 2027.

Segundo o Tecpar, a Anvisa avalia documentos técnicos, estudos clínicos, segurança, qualidade e eficácia antes de decidir. O prazo estimado de análise vai de seis meses a um ano.

Na primeira fase, as vacinas serão fabricadas na China e importadas pelo Tecpar, que fica responsável pela liberação do produto no Brasil sob seu nome. A produção deve se tornar nacional depois, numa unidade em Maringá (PR).

As obras do Parque Tecnológico Industrial da Saúde, em Maringá, estão com 65% de conclusão, com previsão de terminar até o fim de 2026.

Quem está por trás da vacina

O Tecpar foi escolhido fornecedor da vacina em 2025, em parceria de desenvolvimento produtivo com a chinesa Sinovac. O projeto é tocado por Eduardo Marafon, diretor-presidente do Tecpar, e Carolina Perottoni, gerente do Centro de Transferência de Tecnologia do instituto.

Segundo o Tecpar, o objetivo da parceria é garantir transferência de tecnologia, absorção de conhecimento e capacidade produtiva no Brasil. A transferência envolve compartilhar conhecimento, treinar equipes e implementar juntas as etapas de produção, diz Dimas Covas, cientista-chefe da Sinovac no Brasil.

O Brasil deve passar a produzir uma vacina que hoje depende de importação, reduzindo a dependência externa para um imunizante aplicado rotineiramente em crianças.

Publicidade

O país registrou, em média, 11.515 casos de varicela por ano entre 2017 e 2026.

O Tecpar soma-se a outras iniciativas nacionais: em outubro, a vacina mineira contra a malária foi aprovada para testes em humanos.

A varicela é causada pelo mesmo vírus que, reativado anos depois, provoca a herpes-zóster na vida adulta, segundo a Faculdade de Medicina da UFMG.

Outra vacina recente, a MenQuadfi, foi liberada para uso a partir de seis semanas de vida no calendário do SUS.

O que acontece agora

A Anvisa passa a analisar o pedido de registro, com prazo estimado de seis meses a um ano. Só depois da aprovação o Tecpar poderá confirmar a entrega das 7 milhões de doses ao SUS em 2027.