A Polícia Civil de Minas Gerais prendeu nove suspeitos nesta quarta-feira (28) por aplicar golpes contra idosos e aposentados em Belo Horizonte, Vespasiano e Santa Luzia. A Operação Consignatus identificou 21 vítimas e prejuízo de R$ 300 mil, com 13 mandados de busca cumpridos.
Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG), os suspeitos abordavam as vítimas com a promessa falsa de cancelar descontos em benefícios previdenciários e devolver valores cobrados de forma indevida.
Para aplicar o golpe, conseguiam senhas, documentos e acesso aos celulares dos aposentados. Com esses dados, contratavam empréstimos consignados, abriam contas digitais e faziam transferências sem autorização.
Em alguns casos, os suspeitos alteravam a conta de recebimento da aposentadoria.
"Eles atraiam as vítimas até algum escritório na capital e pegavam dados sensíveis como senha, filmagens e fotos. Os suspeitos já tinham experiência em empresas de empréstimo e conseguiram dados anteriormente dessas vítimas", disse o delegado Carlos Eduardo Vieira Nunes, responsável pela Operação Consignatus.
O grupo, formado por seis mulheres e três homens, atuava desde janeiro de 2025. A investigação começou depois que uma vítima procurou a delegacia do bairro Barro Preto, na capital mineira, alegando prejuízo na aposentadoria.
Integrantes do grupo também acompanhavam idosos até caixas eletrônicos para sacar dinheiro diretamente das contas. Os suspeitos serão ouvidos e, segundo a PCMG, indiciados por estelionato majorado contra idoso e possível organização criminosa.
O golpe se repete em Minas e no Brasil
Minas Gerais aparece entre os estados com mais ações judiciais de idosos contra golpes financeiros do país.
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Segundo levantamento da plataforma Escavador divulgado pelo Poder360, o Brasil registra 5 novos casos por dia em média, com quase 5 mil ações acumuladas entre janeiro de 2023 e maio de 2026.
Minas também teve, em outubro de 2025, uma ofensiva estadual batizada de Operação Virtude. Um mês de ações contra crimes contra idosos terminou com 88 prisões e 437 denúncias registradas em todo o estado, segundo o governo de Minas Gerais.
O caso desta semana em Belo Horizonte não faz parte dessa operação, mas mostra que esse tipo de crime continua ativo um ano depois.
A fraude de Belo Horizonte é diferente do escândalo nacional de descontos indevidos nas folhas do INSS. O Ministério da Previdência estimou o prejuízo entre R$ 2 bilhões e R$ 3 bilhões, e cerca de 3 milhões de aposentados pediram ressarcimento em 2025.
Os dois casos exploram a mesma vulnerabilidade, o desconto que o aposentado só percebe ao conferir o extrato do benefício.
O estado já foi alvo de outro esquema parecido, que fraudou R$ 86 milhões do INSS em Minas e no Espírito Santo.
O Congresso chegou a discutir uma proposta de CPI para investigar fraudes no crédito consignado do INSS.
O que acontece agora
Os nove suspeitos serão ouvidos pela 3ª Delegacia de Polícia Civil/Centro, em Belo Horizonte, antes de seguirem para o presídio.
A PCMG informou que a investigação continua para identificar outras possíveis vítimas e apurar se há mais pessoas envolvidas no esquema. Até a manhã desta quarta, a corporação não havia detalhado quantos dos nove mandados de prisão foram efetivamente cumpridos.
Para quem quer se proteger de esquemas parecidos, a TV Sim Brasil reuniu os principais crimes contra idosos e como se proteger.































