A Polícia Federal cumpriu nesta quarta-feira (28) mandado de busca e apreensão na mansão de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em Brasília, um dia depois de o senador deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos. A ação apura lavagem de dinheiro, mas não aproxima uma extradição dele. O senador nega irregularidades.
A busca foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), relator do inquérito que investiga o senador. A Procuradoria-Geral da República deu aval à operação, cujo objetivo é recolher documentos e equipamentos eletrônicos.
O inquérito apura a relação de Flávio com o advogado Willer Tomaz, em cujo hangar a PF informou ter encontrado uma sala secreta.
Flávio e a família deixaram o Brasil horas antes, em voo que partiu da Argentina, fez escala no Equador e seguiu para Miami. A saída ocorreu depois de Moraes determinar a entrega dos passaportes do senador — medida cautelar cujo cumprimento a TV Sim não conseguiu confirmar até a publicação desta matéria.
Por que a extradição não é automática
Não existe hoje um pedido de extradição contra Flávio, porque falta a condição básica para formulá-lo: um mandado de prisão. O que Moraes decretou foram medidas cautelares, como a retenção dos passaportes, não uma ordem de prisão.
Mesmo que um mandado seja expedido, o tratado de extradição entre Brasil e Estados Unidos é de 1961. A lavagem de dinheiro e a evasão de divisas, crimes que a PF apura contra o senador, não estão na lista de delitos cobertos pelo acordo.
O rito, quando cabível, também é longo. A PF pede alerta da Interpol, o STF encaminha o pedido pelo Ministério da Justiça, e o Itamaraty o entrega ao Departamento de Estado americano.
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Um juiz federal dos EUA realiza audiência antes da decisão final, que pesa critérios diplomáticos além dos jurídicos.
O outro lado do Atlântico
O governo americano confirmou, um dia antes da busca, que concederia vistos a Flávio e a familiares. Autoridades brasileiras tentaram alertar Washington para não receber o senador, segundo o Washington Post, mas o aval já havia sido dado.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a afirmar, sem provas, que houve fraude na eleição presidencial de 2022, na qual Jair Bolsonaro, pai do senador, foi derrotado por Lula. Trump também disse aprovar a ida de Flávio ao país.
Flávio também é citado em outro inquérito no STF, sobre o financiamento do filme "Dark Horse", sobre seu pai, Jair Bolsonaro — caso em que o senador nega qualquer irregularidade.
Dias antes, o próprio Moraes havia bloqueado R$ 6 bilhões de Willer Tomaz no mesmo inquérito que agora leva a PF à mansão do senador.
O ponto em aberto
O cenário deixa duas engrenagens girando em direções diferentes: a investigação avança no Brasil, enquanto o acolhimento nos Estados Unidos segue sem sinal de recuo. Falta saber se a Polícia Federal vai conseguir um mandado de prisão que mude esse quadro.































