O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a insinuar, sem provas, que houve fraude na eleição brasileira, em comício no Texas nesta terça-feira (27). A fala antecede reunião entre o chanceler Mauro Vieira e o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, no G20.

"Eles são os maiores fraudadores de eleições na história, acho. Se bem que o Brasil também fez um ótimo trabalho, não é?", disse Trump, segundo o Estado de Minas.

Ele completou: "Não foi legal. Eu não apoiei ninguém, mas não gostei daquilo, não pareceu nada bem."

Foi a segunda vez em dois dias que o presidente americano questionou o processo eleitoral brasileiro: na segunda-feira (26), ele já havia dito que a eleição "pareceu mais uma eleição fraudada", também sem apresentar provas.

Celso Amorim, assessor de Lula para assuntos internacionais, rebateu as declarações. Disse que Trump está "mal informado" sobre as eleições brasileiras.

"Quem tentou fraudar a eleição foi a Meta, atrapalhando e restringindo nossas postagens. Só se ele estiver se referindo à Meta", declarou Amorim ao G1.

Trump também criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF, de prorrogar o horário de votação no 2º turno. A prorrogação havia sido autorizada depois que as campanhas de Lula e de Flávio Bolsonaro relataram dificuldades de eleitores em diferentes regiões do país.

O avanço das investigações contra Flávio

O senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil com a família rumo aos Estados Unidos, contrariando proibição do STF. O Departamento de Estado americano informou que vai conceder vistos a ele e à família.

Na noite de domingo (25), o ministro Alexandre de Moraes determinou que Flávio entregasse os passaportes, ordem que ele descumpriu até o prazo das 11h de terça (27).

A decisão foi dada em processo no qual Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro, em suposto esquema com empresas de apostas esportivas. Os dois negam irregularidade e qualquer sociedade entre si.

O senador também é investigado pela Polícia Federal em inquérito sobre o financiamento do filme "Dark Horse", sobre a trajetória de Jair Bolsonaro. O governo americano já havia confirmado a concessão dos vistos à família horas antes da fala de Trump no Texas.

Não há confirmação sobre o trajeto usado por Flávio para deixar o país, nem sinal de que ele pretenda fixar residência nos EUA.

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O episódio se soma a outro caso em que o vice-presidente Geraldo Alckmin já havia rebatido Trump sobre o mesmo tema, no dia anterior.

O que acontece agora

Vieira e Rubio se encontram nesta sexta (30) e no sábado (31) em Atlanta, na reunião de chanceleres do G20. O encontro deve ser o primeiro teste direto da relação bilateral desde a reeleição de Lula e a fuga de Flávio.

A Polícia Federal segue investigando o caso de Flávio, e o STF ainda não decidiu se vai pedir a prisão preventiva do senador por descumprir a ordem de entrega dos passaportes.