Credores como bancos e fundos de cobrança têm até as 23h59 desta sexta-feira (30) para informar ao governo quais dívidas querem vender no Desenrola 3.0. O prazo é só para quem empresta dinheiro, o consumidor ainda não pode se inscrever no programa.

O Desenrola 3.0 mira dívidas de pessoa física e de MEI de até R$ 10 mil, com atraso de 2 a 4,5 anos, contado em 25 de setembro de 2026. Entram cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal não consignado.

A Caixa Econômica Federal vai comprar essas dívidas dos credores.

Como funciona o desconto

O desconto mínimo exigido por lei é de 90% sobre o valor da dívida comprada pela Caixa, e o governo diz esperar negociar descontos ainda maiores com os credores antes do leilão.

Depois que a Caixa compra a carteira com desconto, o devedor pode procurar a instituição para renegociar e pagar à vista ou parcelado. É aí que o consumidor finalmente entra no processo.

Por que o 3.0 ainda gera dúvida

O 3.0 pode movimentar mais dinheiro que as duas edições anteriores somadas. A meta é R$ 90 bilhões em aquisição de dívidas até o fim de 2026, mais que os R$ 53,2 bilhões renegociados no Desenrola 1.0.

O 1.0, entre julho de 2023 e maio de 2024, beneficiou 14,8 milhões de pessoas, com desconto de 85% a 90%. O 2.0, prorrogado até agosto deste ano, renegociou apenas R$ 5,71 bilhões, bem menos que a primeira edição.

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Em valor renegociado, o 2.0 foi uma fração do 1.0. Ainda assim, o 3.0 sozinho já mira mais dinheiro que as duas edições juntas.

Os bancos ainda hesitam. As instituições financeiras seguem em diálogo inicial com o Ministério da Fazenda para definir os critérios de compra das carteiras, e evitam se comprometer antes do fim do processo eleitoral, ainda em curso.

Também pesa uma dúvida regulatória. Se o Banco Central tratar as dívidas renegociadas como "reestruturadas", os bancos podem ter de reservar mais capital, reduzindo a capacidade de conceder crédito.

Nem todos veem só risco. O UBS BB estima que os bancos podem recuperar até R$ 15 bilhões ao vender créditos que já tinham dado como prejuízo, o que geraria ganhos extras no fim de 2026.

Para especialistas em educação financeira, o desconto resolve o problema no curto prazo, mas não ataca a causa. Sem orientação continuada, famílias podem voltar a se endividar depois de renegociar.

O cenário de fundo é grande. O número de superendividados no Brasil cresceu 75% em cinco anos, segundo o Banco Central. Dario Durigan, do Ministério da Fazenda, chama propostas concorrentes de "impossíveis de implementar".

A dívida dos brasileiros negativados virou tema de campanha. Lula e Flávio chegaram a propor planos parecidos para os 84 milhões de nomes negativados no país, antes do 2º turno.

O ponto em aberto

O Desenrola 3.0 mira R$ 90 bilhões, mas depende da adesão de bancos que ainda não bateram o martelo sobre os critérios de venda. O Banco Central também não decidiu como vai classificar essas dívidas renegociadas nos balanços das instituições.

Enquanto isso não sai, fica em aberto se o programa vai repetir, ou superar, o alcance do 1.0, que levou 14,8 milhões de brasileiros a renegociar dívidas.