A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou testes em humanos da Vivaxin, vacina 100% brasileira contra a malária causada pelo Plasmodium vivax, principal espécie do parasita no país. A aprovação saiu em 6 de outubro, desenvolvida pelo CTVacinas da UFMG.

Ainda não existe vacina no mundo contra o Plasmodium vivax, espécie que causa mais de 99% dos casos de malária registrados no Brasil. A Vivaxin é desenvolvida em parceria com a USP e o laboratório Cristália.

Em 2025, o Brasil registrou 118.037 casos de malária, mais de 99% concentrados na região amazônica.

Como será o estudo em Belo Horizonte

O estudo de fase 1 vai avaliar segurança, reações à aplicação e a capacidade da vacina de estimular resposta imune, não a eficácia dela. Participam 48 voluntários saudáveis, de 18 a 59 anos, sem infecção prévia por malária.

O esquema prevê três aplicações, de vacina ou placebo, com intervalo de 28 dias entre elas, testando três dosagens diferentes. Os participantes serão acompanhados por 360 dias, com avaliações clínicas contínuas, no Hospital das Clínicas da UFMG.

"Essa vacina pode ter um papel extremamente importante para eliminar a malária do nosso território", disse o coordenador do CTVacinas, Ricardo Gazzinelli.

O que acontece agora

A UFMG já vinha avançando no desenvolvimento da vacina desde julho, quando anunciou os resultados da fase pré-clínica. Agora, o estudo em humanos deve se estender por cerca de um ano, até a conclusão do acompanhamento dos 360 dias.

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O Brasil já vinha de queda histórica nos casos de malária, no menor nível em quase 50 anos, graças a um remédio do SUS.

A vacina, se aprovada nas próximas fases, seria uma ferramenta a mais contra a doença, não a substituição do tratamento já usado pelo SUS.

A Alemanha registrou em setembro a 3ª morte por "malária de aeroporto" em Frankfurt, caso picado por mosquito trazido em bagagem de viajante, prova de que a doença preocupa também fora da faixa tropical.