A Polícia Civil de São Paulo abriu inquérito para investigar mortes de bebês após cirurgias no Hospital Salvalus, da rede Hapvida, na Mooca, Zona Leste da capital. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), ao menos seis casos estão sob apuração no 8º Distrito Policial.
As crianças, de zero a três anos, teriam contraído infecções hospitalares e morrido em decorrência de sepse (quadro antes chamado de infecção generalizada) e outras complicações, segundo a SSP.
A assistente jurídica Eduarda Fragnan Gomes, que representa três famílias, afirma acompanhar pelo menos 19 casos de famílias que perderam filhos em cirurgias no Hospital Salvalus nos últimos seis meses.
São crianças que deram entrada para fazer cirurgias de má formação, digestivas ou de correção que tinham chance baixíssima de morte, mas que tiveram infecção generalizada e faleceram. As famílias estão desoladas.
A fala é de Eduarda Fragnan Gomes, que diz ter sido procurada por famílias de diferentes cidades da Grande São Paulo, não só da capital.
Uma reportagem do Metrópoles teve acesso a 16 certidões de óbito de bebês no Hospital Salvalus nos oito primeiros meses do ano, todas com sepse ou choque séptico. Segundo a mesma reportagem, a assistente jurídica está em contato com até 36 famílias ao todo.
Em nota, a Polícia Civil informou que a autoridade policial realiza diligências, incluindo oitivas de profissionais de saúde e testemunhas e análise integral dos prontuários médicos, para esclarecer as causas das mortes.
O Hospital Salvalus afirmou que ainda não recebeu notificação formal sobre os procedimentos e que permanece à disposição das autoridades. Disse ainda que trata os relatos com seriedade e que situações clínicas distintas não podem ser atribuídas a uma mesma causa sem comprovação técnica.
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O hospital diz atender mais de mil crianças por ano e afirma que suas próprias avaliações não identificaram, até agora, uma origem infecciosa comum entre os casos.
Sepse não prova, sozinha, erro médico
Sepse não prova, sozinha, erro médico, segundo a perita e médica legista Caroline Daitx. A medicina tem obrigação de meio, não de resultado. O médico deve usar os meios adequados, mas não pode garantir a cura.
Para caracterizar erro médico, é preciso comprovar desvio do padrão de cuidado esperado, o prejuízo e o nexo entre os dois. Prontuário completo, exames de cultura, registros da comissão de controle de infecção e necropsia são os documentos centrais dessa prova, segundo a especialista.
A Anvisa considera infecção hospitalar aquela que surge após 48 horas de internação e não estava presente na admissão do paciente. Esse critério só se confirma pelo prontuário e pelos registros de controle de infecção.
Casos de mortes de crianças em ambiente hospitalar sob investigação não são exclusividade deste episódio. Em agosto, uma médica foi denunciada pela morte de seis crianças numa UTI no Paraná.
A Hapvida, dona do Hospital Salvalus, já enfrentou outros episódios de escrutínio este ano. Em junho, a operadora foi condenada por negar tratamento a um paciente idoso com câncer.
O que acontece agora
O que acontece agora é a centralização das investigações no 8º DP, que reúne os boletins de ocorrência registrados em diferentes cidades da Grande São Paulo.
A polícia segue ouvindo profissionais de saúde e analisando prontuários para apurar se há uma causa comum entre os óbitos.
A Hapvida também já foi alvo de outro tipo de escrutínio este ano. A ANS barrou a operadora de reajustar quase 1 milhão de contratos.































