O ministro André Mendonça liberou neste domingo (6) para julgamento no plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) o caso que envolve o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A decisão retira o sigilo do processo e determina que a sessão seja pública e presencial.
A decisão transfere para uma sessão aberta um conflito que, até aqui, avançou por decisões monocráticas e sigilosas dentro do STF. É a primeira vez que o caso deixa esse rito reservado.
O relatório da Polícia Federal citado na decisão tem 218 páginas e reúne mensagens e dados do celular de Daniel Vorcaro, preso em novembro de 2025. As mensagens mostram proximidade entre ele e Moraes durante a crise do Banco Master.
O banco foi liquidado pelo Banco Central em novembro de 2025, em meio à Operação Compliance Zero, que apura fraude na venda de carteiras de crédito ao BRB.
Uma análise da Abin já havia questionado a forma como o documento foi produzido. Na decisão de hoje, Mendonça escreveu que a manifestação da Procuradoria-Geral da República não muda o rumo do processo.
Diante do teor das informações apresentadas pela autoridade policial, independentemente de qual venha a ser a manifestação exarada pela douta Procuradoria-Geral da República, o caminho inevitável dos presentes autos leva ao Plenário deste Supremo Tribunal Federal.
A escalada entre os dois ministros
O impasse ganhou corpo em 3 de setembro, quando Moraes decidiu que havia fortes indícios de improbidade e abuso de autoridade por parte de Mendonça. Ainda naquela noite, Mendonça procurou pessoalmente o presidente do STF, Edson Fachin, e pediu o afastamento de Moraes do cargo.
O caso chega ao plenário em meio a outra disputa na Corte, dividida 4 a 3 sobre investigar Moraes, com o voto de Cármen Lúcia ainda em aberto. Delegados da Polícia Federal também pediram o afastamento do procurador-geral Paulo Gonet no caso.
Procurado pelo Poder360 sobre a decisão de Moraes, o gabinete de Mendonça não respondeu, segundo o portal.
O que acontece agora
Fachin abriu prazo de cinco dias, até 11 de setembro, para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, se manifestem sobre o caso.
O presidente do STF só decide se pauta o julgamento depois do prazo, que não deve ocorrer antes de 14 de setembro. A sessão será presencial e pública, ao contrário do rito reservado que marcou o caso até agora.

















































