A Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado um porta-aviões e um destróier dos Estados Unidos com mísseis balísticos na noite deste sábado (5), horas depois de o Comando Central americano (CENTCOM) bombardear três petroleiros iranianos perto da Ilha de Kharg. Os Estados Unidos não confirmaram o ataque nem relataram baixas.

O CENTCOM já havia atacado três petroleiros iranianos e alertado para o risco de gasolina mais cara no Brasil, em retaliação a mísseis lançados contra dois navios da marinha americana. Segundo a Tasnim, agência semioficial iraniana, quatro mísseis atingiram um petroleiro em Kharg, sem vítimas.

O mercado já reagiu: as ações da Petrobras fecharam em alta de 2,62% (PETR3) e 2,53% (PETR4), acumulando alta de cerca de 16% na semana. O petróleo Brent fechou a US$ 88,10 o barril, alta de 4,59%.

"O mercado está reagindo à escalada das hostilidades entre o Irã e os Estados Unidos, que culminou nesta semana com ataques noturnos à infraestrutura iraniana e retaliações do Irã contra a infraestrutura de seus vizinhos", disse Andrew Lipow, da consultoria americana Lipow Oil Associates.

Tamas Varga, da PVM Oil Associates, apontou o redirecionamento das exportações sauditas como ameaça adicional ao mercado.

O Irã afirma o ataque ao porta-aviões, mas os Estados Unidos não confirmam sequer uma baixa. O país interrompeu o tráfego no Estreito de Ormuz, via que respondia por um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo antes do conflito.

O que muda no bolso do consumidor brasileiro

No Brasil, o efeito da escalada esbarra num prazo apertado: a subvenção de R$ 0,44 por litro de gasolina vence nesta quarta-feira (9), quando expira a Medida Provisória que a sustenta.

A ordem de grandeza apareceu em maio: um reajuste de R$ 0,48 por litro na distribuidora chegou a só R$ 0,03 por litro na bomba graças ao desconto. Sem ele, o aumento chega quase inteiro ao consumidor.

O deputado Arnaldo Jardim alertou que o subsídio a diesel e gasolina pode simplesmente acabar em setembro. Uma saída já sancionada é a lei do PLP dos Combustíveis, que usa receita extra do petróleo para bancar isenção fiscal e segurar o preço nas bombas.

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Relembre a escalada

A troca de ataques deste fim de semana se soma a uma escalada que já dura seis meses. Em 1º de setembro, a Petrobras chegou a disparar 4% na Bolsa após um novo ataque dos EUA ao Irã.

Na quarta-feira (3), uma reportagem própria explicou por que o combustível não havia subido no Brasil apesar da alta do petróleo, com base no mesmo subsídio que agora está a três dias do fim.

O que acontece agora

A Medida Provisória que sustenta o desconto vence nesta quarta-feira (9). Até lá, cabe ao governo prorrogar a subvenção mais uma vez ou deixar o preço seguir a alta do petróleo, o mesmo movimento que levou a Petrobras a subir 16% na Bolsa na semana.