Criminosos estão usando um golpe batizado de "golpe do sósia" para tentar enganar sistemas de biometria facial: em vez de disfarçar o próprio rosto, procuram em bancos de imagens alguém fisicamente parecido com eles e tentam se passar por essa pessoa. O método foi identificado pela Serasa Experian.

A empresa bloqueou 2,86 milhões de tentativas de fraude de identidade no primeiro semestre de 2026, alta de 32,9% sobre o mesmo período de 2025. O prejuízo estimado evitado chega a R$ 3,77 bilhões.

Segundo o Mapa da Fraude da Serasa Experian, uma ocorrência de alto risco é identificada a cada 5,5 segundos no país.

Como o golpe funciona na prática

Os criminosos usam motores de comparação facial, os mesmos que empresas usam para validar identidade, só que ao contrário. Em vez de tentar passar pelo próprio rosto, eles buscam em bases de imagens, inclusive obtidas de forma ilícita, pessoas com semelhança física elevada.

A vítima nem precisa ter feito nada de errado para ser escolhida: basta parecer o suficiente com o criminoso para enganar o sistema em um cadastro ou abertura de conta.

"Os criminosos também podem explorar tecnologias desenvolvidas para aumentar a segurança", diz Leandro Bartolassi, diretor de Autenticação e Prevenção à Fraude da Serasa Experian.

A recomendação da empresa é não depender só do rosto: combinar a biometria facial com outros sinais de verificação ajuda a pegar inconsistências que a análise da imagem sozinha não identifica.

A biometria facial já é usada como camada de segurança em serviços financeiros sensíveis no Brasil. Em agosto, por exemplo, o INSS chegou a liberar o consignado sem exigir biometria facial em parte do processo.

O problema também não é exclusivo do sistema financeiro. Em setembro, a Polícia Federal desmentiu um laudo que usava imagem gerada por inteligência artificial para tentar validar uma versão dos fatos.

O que acontece agora

A Serasa Experian não detalhou nesta divulgação quais setores são mais visados pelo golpe do sósia. A recomendação prática, por ora, é a mesma para empresas e bancos: nunca usar o reconhecimento facial como única barreira contra fraude.