O Sistema de Pagamentos Instantâneos do Banco Central registrou o maior volume diário de transações Pix da história na sexta-feira (4): 318.073.816 operações, somando R$ 186,89 bilhões, com ticket médio de R$ 587,58. O recorde anterior, de 313,3 milhões de transações, foi registrado em 5 de dezembro de 2025.
O salto em relação ao recorde de dezembro foi de 4,7 milhões de operações e R$ 6,96 bilhões a mais movimentados em um único dia. A média por transação também subiu, de R$ 574,24 para R$ 587,58.
"É benéfica para quem demanda e para quem oferece, para o setor público e o privado. Produziu benefícios para a sociedade como um todo e isso é reconhecido internacionalmente", disse Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, sobre a implementação do Pix.
O comentário partiu de um contexto de disputa comercial. Dias antes, o presidente Lula sugeriu que Donald Trump deveria usar o Pix para conhecer o sistema na prática, referência às críticas dos Estados Unidos à ferramenta.
Por que o Pix virou parte do tarifaço dos EUA
O sistema é citado 20 vezes em um documento de 107 páginas do USTR, o representante comercial dos EUA. O texto embasou uma sobretaxa de 25% sobre produtos brasileiros, aplicada com base na Seção 301 da lei comercial americana de 1974.
Essa fatia soma-se a outros 12,5% impostos por uma investigação separada sobre trabalho forçado, sem relação com o Pix. Juntas, as duas sobretaxas somam 37,5% sobre parte dos produtos brasileiros.
O governo americano alega que bancos brasileiros são obrigados a dar destaque ao Pix em detrimento de concorrentes dos EUA, argumento que especialistas consideram sem fundamento.
O tarifaço já derrubou as exportações brasileiras aos EUA em 9,7% no acumulado de 2026, segundo o MDIC.
Em reunião de agosto com o representante comercial dos EUA, o Brasil chamou a tarifa de discriminatória e sem embasamento técnico.
O que o Pix mudou no bolso e na inclusão financeira
O sistema foi lançado pelo Banco Central em novembro de 2020. Naquele ano parcial, movimentou R$ 149,9 bilhões; em 2024, o volume anual chegou a R$ 26,4 trilhões, com mais de 60 bilhões de transações no período.
O crescimento também mudou quem usa o sistema. 45,6 milhões de brasileiros que não tinham feito nenhuma TED nos 12 meses anteriores ao lançamento passaram a usar o Pix como pagadores.
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O número de usuários cresceu 52% em todas as faixas de renda, com alta de 131% entre os de renda mais baixa.
A regra de contestação de golpe no Pix também mudou neste mês: o prazo para contestar uma transação fraudulenta subiu de 30 para 80 dias, mudança que acompanha o crescimento do volume transacionado.
O que fica em aberto
A sobretaxa de 25% dos EUA, baseada na Seção 301, ainda está em disputa e cita o Pix como argumento central. Cada recorde do sistema reforça o contraponto brasileiro: ampliar o acesso a pagamentos sem excluir concorrentes que nunca ofereceram produto equivalente no país.




























