Davi Alcolumbre, presidente do Senado, sinalizou a senadores que pode autorizar um pedido de impeachment contra o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), caso a pressão para abrir um processo contra Alexandre de Moraes aumente. A manobra, batizada de "impeachment cruzado", reduziu a tensão entre os parlamentares nesta semana.

O pedido de Moraes contra Mendonça chegou a Fachin nesta quinta-feira (3), depois que um relatório da Polícia Federal revelou mensagens e contatos entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master.

Segundo o texto, Mendonça teria excedido suas atribuições na condução de investigações e interferido em negociações de delação premiada por motivos pessoais e políticos, inclusive contra o próprio Moraes e Alcolumbre. Fachin já havia prometido medidas cabíveis diante do episódio, um dia antes do pedido.

Mendonça rebateu a acusação com notas fiscais de R$ 26,4 mil emitidas por uma alfaiataria de São Paulo, em nome da esposa do ministro. Os documentos respondem a um áudio em que o advogado do banqueiro contou ter levado o ministro à loja para experimentar ternos.

Fala, Vorcarinho, trabalhando por você! Levei o André lá no Vasco agora.

afirmou o advogado Ciro Rochas Soares em áudio enviado a Vorcaro no dia 8 de fevereiro, data da primeira nota fiscal apresentada por Mendonça.

O gabinete de Mendonça afirma que o ministro recebeu Vorcaro uma única vez, em março de 2025, por iniciativa do empresário, e que se limitou a ouvi-lo. O mesmo mês registrou um encontro com o advogado do banqueiro.

Mendonça se tornou relator do caso Master em fevereiro deste ano, o mesmo mês das notas fiscais que agora usa em sua defesa.

Entre os senadores, a leitura é a de que mirar os dois ministros esvaziou, por ora, a pressão por resposta mais dura contra Moraes. Alcolumbre já defendera Moraes publicamente um dia antes, ao citar o valor movimentado pelo Dark Horse.

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O histórico dos pedidos de impeachment no STF

Ministros do STF acumulam 80 pedidos de impeachment protocolados no Senado desde 2021, segundo levantamento do Poder360. Alexandre de Moraes concentra a maior parte, com 46 pedidos só contra ele.

Nenhum avançou a ponto de tirar um ministro do cargo. A história do tribunal não registra um único impeachment aprovado.

O que acontece agora

Fachin retirou o pedido de Moraes do inquérito das fake news nesta sexta (4) e transferiu o caso à Presidência do STF. A PGR e o próprio Mendonça têm cinco dias úteis para se manifestar antes de uma decisão sobre abrir investigação formal.