Mais de 100 empresas italianas chegam ao Brasil nesta semana na Missão Mercosul 2026, a primeira missão empresarial europeia ao bloco desde a aprovação do acordo comercial com a União Europeia. A comitiva passa por São Paulo e Brasília entre 7 e 11 de setembro, liderada pelo presidente da Confindustria, Emanuele Orsini.
Participam setores como agroalimentar, máquinas e equipamentos, farmacêutico, médico, tecnologia digital e transição energética. Viajam também o chanceler italiano, Antonio Tajani, e o ministro da Educação, Giuseppe Valditara.
A Itália hoje exporta 7,5 bilhões de euros por ano ao Mercosul. A Confindustria projeta que o valor pode chegar a 14 bilhões de euros com o acordo em plena vigência.
Em maio, quando entrou em vigor a parte comercial do acordo, as exportações italianas ao bloco já haviam crescido 21,1% na comparação com o mesmo mês de 2025.
O acordo vale só pela metade
O que está em vigor desde maio é apenas o acordo interino de comércio. Os capítulos políticos e de cooperação do tratado dependem de ratificação plena pelo Parlamento Europeu, que ainda não aconteceu.
A resistência não vem do Brasil, vem da própria Europa: sindicatos agrícolas temem a concorrência de produtos sul-americanos mais baratos.
A França, pelo Ministério da Agricultura, já disse que vai votar contra o acordo do jeito que está. A estimativa do setor é que a ratificação plena demore ao menos um ano e meio.
A missão chega num momento de disputa por espaço dentro do próprio bloco. Em agosto, a China ultrapassou o Brasil como maior fornecedor da Argentina, o vizinho que também integra o Mercosul.
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Não é a primeira comitiva estrangeira a mirar o bloco este ano. Em agosto, o secretário-geral da Asean visitou o Brasil com o comércio bilateral já em US$ 38,4 bilhões.
O Brasil também vem ajustando regras internas para o bloco. No mesmo mês, o país promulgou o acordo que zera taxas para o e-commerce dentro do Mercosul.
O que acontece agora
A comitiva segue para Brasília depois de São Paulo, encerrando a passagem pelo Brasil em 11 de setembro. O desfecho da ratificação plena do acordo segue nas mãos do Parlamento Europeu, sem data marcada.


























