O presidente do STF, Edson Fachin, adiou para depois de 14 e 22 de setembro os dois processos que opõem os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça no caso do Banco Master. Em despacho de quinta-feira (3), ele deu cinco dias úteis para os dois, o procurador-geral Paulo Gonet e o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, se manifestarem.

A disputa começou na terça-feira (1º), quando Mendonça, relator do caso, retirou o sigilo de mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e Moraes. Vorcaro foi preso na Operação Compliance Zero, cuja sexta fase a Polícia Federal deflagrou em 14 de maio.

Nas mensagens, de 15 de novembro de 2025, Vorcaro perguntou a Moraes se precisaria deixar a prisão já na segunda-feira seguinte, e se o juiz Ricardo sabia da situação. No dia seguinte, quis saber se havia chance de a soltura sair de manhã.

Dias depois, Moraes usou o Inquérito das Fake News, aberto em 2019, para acusar Mendonça de abuso de autoridade, improbidade administrativa e crime de responsabilidade na condução das operações Compliance Zero e Sem Desconto.

A base da acusação é o mesmo relatório da Polícia Federal que a própria corporação já classificou como sem valor de prova.

O documento não tem timbre oficial nem assinatura de delegado. A Intelis, união de profissionais de inteligência da Abin, criticou o relatório no sábado (5).

Em nota, a associação afirmou que a atividade de inteligência "não se confunde com investigação criminal, tampouco com a elaboração de peças destinadas à formação de juízo acusatório".

A Intelis também disse que o documento "não apresenta características compatíveis com os parâmetros metodológicos estabelecidos pela Doutrina da Atividade de Inteligência". A entidade cobra a aprovação do PL 6.423/2025, em tramitação no Senado, que regulamenta a atividade de inteligência no país.

O episódio se soma a uma sequência de atritos na apuração do caso Master. Delegados da própria Polícia Federal chegaram a pedir o afastamento do procurador-geral Paulo Gonet da condução do inquérito.

A Advocacia-Geral da União também rejeitou um pedido da PF contra Mendonça, por considerar que faltava base jurídica, e negou motivação política no episódio.

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O que acontece agora

Nos próximos cinco dias úteis, Mendonça, Moraes, Gonet e Rodrigues precisam se manifestar sobre o processo que discute a divulgação das mensagens. A análise em plenário fica marcada para depois de 14 de setembro.

No processo sobre a inclusão de Mendonça no Inquérito das Fake News, o rito tem duas etapas. Primeiro, Gonet avalia se o pedido de Moraes é cabível; depois, Mendonça tem mais cinco dias úteis para se defender.

A decisão final fica para depois de 22 de setembro, menos de duas semanas antes do primeiro turno das eleições gerais de outubro.