O eleitorado brasileiro chega às eleições de 2026 com 158.745.463 pessoas aptas a votar, quase 2,3 milhões a mais que em 2022. É o maior colégio eleitoral da história do país, mas o crescimento de 1,46% é o mais lento dos últimos ciclos, segundo dados do TSE.
O aumento também não foi parecido em todo o país. O eleitorado do Norte cresceu 4,37% em quatro anos, mais que o dobro da média nacional. Já o Rio de Janeiro teve a menor alta entre os estados, de apenas 0,23%.
Fora do Brasil, o crescimento chamou mais atenção: o eleitorado no exterior saltou 31,82% no período, chegando a 918.876 pessoas aptas a votar.
Um eleitorado cada vez mais velho
A fatia de eleitores com 60 anos ou mais passou de 21,02% em 2022 para 23,60% agora, quase 1 em cada 4 votos do país. Em quatro anos, esse grupo ganhou 4,5 milhões de pessoas.
Quem tem 70 anos ou mais já soma cerca de 15 milhões de eleitores.
As pessoas estão chegando mais saudáveis, mais ativas, a uma idade mais avançada.
A frase é da cientista política Mayra Goulart, da UFRJ. Já o cientista político Carlos Oliveira atribui o crescimento a um hábito consolidado: "pessoas que já tinham muito interesse por política continuam tentando participar da democracia por meio do voto".
Mulher é maioria no voto, mas ainda minoria na disputa
Mulheres são 52,84% do eleitorado, o equivalente a 83,84 milhões de eleitoras. São mais de 9 milhões a mais que o total de homens aptos a votar.
Isso não se reflete em quem aparece na cédula: mulheres são 34,9% das candidaturas registradas para 2026, quase 18 pontos abaixo do peso delas no eleitorado.
O desequilíbrio aparece também no total de candidaturas. O TSE registrou 20,5 mil candidaturas para 2026, 8,7 mil a menos que em 2022.
O eleitorado cresceu no mesmo período em que a oferta de nomes para escolher encolheu.
O que os partidos ainda não responderam
Um eleitorado mais velho e mais concentrado em mulheres muda o tipo de pauta que pesa na campanha: renda do idoso, custo de vida no orçamento que mulheres comandam. Nenhum dos dois grupos, porém, corresponde a quem aparece como candidato.
Essa distância, entre quem vota e quem é votado, é o que o resultado de outubro não resolve sozinho.


























