Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça e Luiz Fux pediram à Polícia Federal (PF) acesso à íntegra dos dados do celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do extinto banco Master. O material é o mesmo já entregue a três outros colegas.
A PF havia repassado os dados a Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes no início da semana.
O pedido veio depois do levantamento do sigilo dos processos sobre as investigações do Master, quando os ministros passaram a solicitar os dados brutos extraídos do aparelho do ex-banqueiro. Mendonça é o relator do caso.
Por que Mendonça mudou de posição
Antes do envio, Mendonça havia se posicionado por despacho contra o compartilhamento. Ele argumentou que abrir os dados tumultuaria o julgamento marcado para terça-feira (15).
A sessão analisaria uma possível investigação sobre a relação entre Moraes e Vorcaro, e acabou suspensa por um pedido de vista.
Segundo a CNN, Mendonça alegou que todo o material necessário ao julgamento já estava disponível e que revelar o conteúdo completo do celular só serviria para "tumultuar" a sessão. Ele disse ter uma cópia da íntegra em seu gabinete, mas lacrada.
A Polícia Federal informou ao presidente da Corte, Edson Fachin, que tinha o material e podia fornecer cópias idênticas aos ministros sem prejuízo à cadeia de custódia.
Zanin e Gilmar Mendes recorreram diretamente à PF para obter as informações, e agora Mendonça e Fux fizeram o mesmo pedido.
As mensagens que vazaram
Antes do julgamento de terça, vieram a público mais mensagens do celular de Vorcaro, entre elas conversas com o advogado Rodrigo Fux, filho do ministro Luiz Fux.
As mensagens mostram que os dois marcavam encontros para tratar de assuntos profissionais, mas mantinham também um tom informal e de proximidade.
Em nota, o escritório Fux Advogados afirmou que nunca atuou a favor de Vorcaro ou do Master, nem recebeu valores do ex-banqueiro.
"O que houve foi uma tentativa de aproximação comercial por parte de Daniel Vorcaro e seus sócios. Uma tentativa apenas, mas que, conforme ressaltado, jamais se concretizou", disse o escritório.
Segundo a nota, o contato ocorreu mais de um ano antes de qualquer notícia sobre fraude ou implicação criminal do banqueiro.
Após a entrega do material ao Supremo, vazaram também diálogos com menções ao ministro Kássio Nunes Marques, sem detalhes do conteúdo divulgados até a publicação desta matéria. Kássio se declarou suspeito e deixou o julgamento sobre Moraes nesta semana, em decisão separada.
O que acontece agora
A PF ainda não confirmou publicamente se vai atender ao novo pedido de Mendonça e Fux. O episódio se soma a outros atritos recentes entre ministros no caso Master.
Entre eles, a acusação de Gilmar Mendes de que Fux combinou um voto com Mendonça em outro processo ligado à PF. O julgamento sobre a relação entre Moraes e Vorcaro segue sem nova data marcada.












































































































