O candidato a deputado estadual Danilo Morgado (PL) foi preso nesta quinta-feira (17) na Operação Vectura Corrupta, que apura infiltração do PCC no transporte público de SP. A polícia diz que a facção financiou sua campanha à Prefeitura de Praia Grande em 2024.

À época, Morgado era filiado ao União Brasil e concorria à prefeitura da cidade litorânea. Diálogos extraídos de celulares apreendidos mostram, segundo as investigações, troca de mensagens entre o candidato e José Daniel Satilite.

Satilite é apontado pela polícia como integrante do PCC. As mensagens tratariam de apoio e financiamento à candidatura de Morgado à prefeitura.

A decisão que decretou a prisão preventiva cita "vários indícios" de que a campanha de Morgado foi paga pela organização criminosa. Os investigadores também identificaram mensagens que indicariam interlocução da facção com advogados, empresários e integrantes do Legislativo.

O que mais aponta a investigação

Ao todo, 16 pessoas além de Morgado são investigadas na operação. Entre elas está Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo.

A TV Sim Brasil já havia apurado a ligação de Leite com a mesma operação. Ele disse que se apresentaria às autoridades em até 24 horas.

Morgado já era investigado antes desta quinta. Em agosto de 2024, foi alvo de mandado de busca e apreensão na Operação Decúrio, que mirou o uso de empresas e agentes públicos e privados pelo PCC.

Segundo o TSE, sua candidatura a deputado estadual em 2026 já foi deferida pela Justiça Eleitoral. De acordo com o DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral, ele recebeu até agora R$ 170 mil em recursos de campanha.

Desse total, R$ 150 mil vieram do diretório nacional do PL. Morgado já gastou o equivalente a R$ 173 mil.

O que diz a defesa

"Negamos de forma veemente qualquer irregularidade em campanha ou qualquer tipo de envolvimento com o crime organizado", disse ao g1 o advogado Marcelo Viela, que representa Morgado. Segundo o advogado, o candidato está incomunicável desde a prisão.

Em nota enviada à imprensa, Morgado classificou a prisão como perseguição. "Agora, em plena campanha eleitoral, e um dia antes da data que proíbe prisão de candidatos, Danilo é preso. A sequência dos fatos fala por si", afirmou, dizendo ser vítima de intimação.

O candidato relacionou o episódio a um pedido de prisão anterior, que ele atribui ao prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão. Segundo Morgado, o pedido veio depois que ele publicou vídeos apontando supostas licitações ligadas ao PCC na prefeitura.

A prefeitura de Praia Grande foi procurada pela reportagem do Valor e não deu retorno até a publicação da matéria original.

O que acontece agora

Pela lei eleitoral, candidatos não podem ser presos nos 15 dias anteriores à eleição, salvo em flagrante. Segundo fonte ligada a Morgado, esse prazo terminaria em 19 de setembro.

Como a prisão é preventiva, a assessoria do candidato afirma que ela não afeta a candidatura. A defesa ainda pode contestar a prisão na Justiça de São Paulo.