A campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) exibiu nesta quinta-feira (17) uma propaganda eleitoral ao lado da madrasta, a candidata ao Senado Michelle Bolsonaro (PL-DF). A peça tem cerca de 15 segundos e marca a reaproximação dos dois após uma briga pública.

"Precisamos trabalhar para combater a violência, fortalecer o acolhimento e ampliar as oportunidades para as nossas mulheres", diz Michelle na propaganda. "Meu governo vai trazer proteção e mais protagonismo para as mulheres", completa Flávio.

O material foi gravado em 11 de agosto, no primeiro encontro presencial entre os dois depois da crise. Na ocasião, Flávio e Michelle divulgaram imagens dos bastidores, e a ex-primeira-dama disse que os dois haviam "colocado uma pedra" sobre o atrito.

A reaproximação começou em 23 de julho, quando Flávio publicou um vídeo em defesa da união da direita e pediu desculpas a Michelle. Ela aceitou publicamente e sinalizou disposição para participar da campanha presidencial do enteado.

A briga veio a público em junho. No dia 24, Michelle publicou dois vídeos nas redes sociais em que afirmou ter sido maltratada e humilhada por Flávio, e revelou que os dois não se falavam desde o fim de 2025.

O desentendimento envolveu a disputa pela formação do palanque do PL no Ceará. Dirigentes do partido tentavam uma aliança com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), movimento que Michelle criticou publicamente.

Por que a campanha aposta em Michelle?

A aposta em Michelle busca reduzir a desvantagem de Flávio entre as eleitoras. Pesquisa Quaest, contratada pela Editora Globo, mostra que ele passou de 37% para 38% das intenções de voto entre mulheres, enquanto Lula recuou de 43% para 41%.

O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 10 e 13 de setembro, tem margem de erro de 3 pontos percentuais no recorte de mulheres e está registrado no TSE sob o número BR-03607/2026.

Entre as mulheres, a diferença entre os dois caiu de 6 para 3 pontos percentuais.

Reaproximação e propaganda aconteceram bem no momento em que a disputa pelo voto feminino ficou mais apertada.

Não é a primeira vez que a campanha mira esse público. Flávio já havia dedicado o discurso de estreia como candidato ao eleitorado feminino, em Minas Gerais.

No mesmo dia, outro levantamento colocou Flávio à frente de Lula em simulação de 2º turno, com números diferentes dos da Quaest.

A polêmica que afastou Flávio e Michelle girou em torno de Ciro Gomes, hoje candidato ao governo do Ceará. Ele disputa o cargo contra o governador Elmano de Freitas (PT), em corrida marcada por acusações mútuas.