O Irã atacou bases dos EUA em cinco países nesta quarta-feira (2): Jordânia, Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Iraque. A retaliação responde ao bombardeio americano à Ilha de Larak, no Estreito de Ormuz. O petróleo Brent chegou a US$ 97,04, e o Irã diz que 12 pessoas morreram no ataque dos EUA que motivou a resposta.
É o maior confronto direto entre os dois países desde julho.
Um dia antes, em 31 de agosto, as Forças Armadas americanas atingiram dois lançadores de foguetes das forças iranianas na Ilha de Larak. Segundo os EUA, a Guarda Revolucionária se preparava para lançar minas navais na rota comercial do estreito.
A Guarda Revolucionária já havia avisado, no mesmo dia 31, que "não hesitará em exercer o direito inerente de legítima defesa" e reagiria "decisivamente" a qualquer nova agressão americana.
Segundo o governo do Irã, as 12 mortes atribuídas ao ataque dos EUA incluem cinco pessoas na cidade costeira de Sirik, na região do Estreito de Ormuz. Os números são os informados por Teerã; nenhuma fonte independente os confirmou até a publicação desta matéria.
No Kuwait, drones atingiram um complexo residencial da Base Aérea Ali Al Salem. Houve danos materiais, mas não houve vítimas, segundo o corpo de bombeiros local.
O Irã já havia atacado bases americanas na Jordânia em uma rodada anterior de retaliações, no fim de agosto. A guerra entre os dois países começou em 28 de fevereiro, quando EUA e Israel bombardearam o Irã para neutralizar seus programas nuclear e de mísseis.
O mercado já havia reagido um dia antes, ao ataque a Larak. Na terça-feira (1º), a Petrobras disparou 4,11% na Bolsa, fechando a R$ 46,87, com o Brent a US$ 94,65.
Com a retaliação iraniana desta quarta, o petróleo bateu US$ 97,04 antes de recuar para perto de US$ 94.
O Estreito de Ormuz concentra cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito consumidos no mundo. Apesar da tensão, o fluxo pela rota não parou: só na segunda-feira (31), 17 milhões de barris passaram pelo estreito.
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No Brasil, o efeito chega pela defasagem entre o preço internacional e o praticado nas refinarias. Segundo a Abicom, em 1º de setembro o diesel A S10 estava 88% defasado, o equivalente a R$ 2,89 por litro abaixo da referência internacional.
A gasolina A tinha defasagem de 58%, ou R$ 1,48 por litro. Quanto mais tempo o petróleo ficar acima de US$ 90, maior a pressão para a Petrobras reajustar o preço nas bombas, hoje em torno de R$ 6,53 o litro.
A gasolina pesa 5,22% no IPCA. Simulações apontam que uma alta de 10% no preço do combustível adicionaria cerca de 0,52 ponto percentual à inflação; em 15%, o impacto sobe para 0,78 ponto.
O que essa escalada custa ao Brasil daqui pra frente
A guerra no Oriente Médio já dura mais de seis meses, com um padrão que se repete: ataque, retaliação, alta do petróleo, trégua e novo ataque.
Uma análise da TV Sim mostrou que o Brasil está nos dois lados dessa conta. O país ganha na receita de exportação de petróleo e perde no preço do combustível interno.
A pergunta em aberto é se este novo ciclo dura poucos dias, como os anteriores, ou se atacar bases em cinco países de uma vez estica a tensão por mais tempo.
































