O Ministério Público de São Paulo denunciou nesta sexta-feira (4) os empresários Roberto Augusto Leme da Silva, o Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo. Os dois respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica na Operação Carbono Oculto, que mira o crime organizado no setor de combustíveis.
A denúncia tem 300 páginas e é a segunda apresentada dentro da operação. É também a primeira a mirar diretamente Mourad: a etapa anterior havia citado apenas Beto Louco.
Segundo o MP-SP, o esquema nasceu por volta de 2020, com a aquisição das empresas Copape e Aster. A partir daí, se espalhou pela cadeia de produção de combustíveis e açúcar por meio do Grupo Itajobi, criado em Catanduva.
A força-tarefa do Gaeco identificou R$ 1,7 bilhão movimentados pela Insight Participações, uma das empresas ligadas ao esquema, além de R$ 3,9 milhões em imóveis comprados na cidade.
A organização utilizava empresas de fachada, pessoas interpostas, fundos de investimento e contas em fintechs para ocultar a origem dos recursos.
A investigação aponta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Parte da lavagem teria passado por postos de combustível controlados por integrantes da facção.
Beto Louco e Primo estão foragidos. Os dois tentaram negociar delação premiada, mas a proposta foi rejeitada pelos promotores paulistas.
Sem acordo, o processo segue com os dois foragidos e com fundos de investimento ligados ao esquema sob sequestro judicial.
A defesa de Mourad classificou a denúncia como especulação. Em nota, os advogados afirmaram que ela "repete especulações sobre fatos não comprovados, desconectados da realidade" e questionaram qual seria o crime anterior à suposta lavagem.
A defesa de Leme da Silva disse que vai provar a "improcedência da denúncia" e pedir a nulidade do processo.
A Operação Carbono Oculto foi deflagrada em agosto de 2025 e já abriu outras frentes. No fim de agosto deste ano, o MP-SP também denunciou outras 16 pessoas por um esquema de adulteração de combustíveis com metanol em São Paulo.
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O uso de fintechs por facções para lavar dinheiro é um padrão que promotores paulistas vêm mapeando. O PCC se transformou em uma "multinacional do crime" ao criar instituições financeiras próprias, segundo um promotor do Gaeco.
A prática já havia sido descrita como uma nova frente do crime organizado em São Paulo, com fintechs usadas para movimentar recursos ilícitos sem levantar suspeita nos bancos tradicionais.
O que acontece agora
A Justiça de São Paulo ainda vai decidir se recebe a denúncia contra Beto Louco e Primo. Enquanto isso, o Gaeco mantém o sequestro dos fundos ligados ao esquema e a busca pelos dois, que seguem foragidos.


























