O candidato Flávio Roscoe (PL) defendeu, em debate ao governo de Minas Gerais, que o fim da escala 6x1 seja tratado por negociação bilateral entre patrões e empregados. Para ele, a mudança não deve ser compulsória, imposta por lei. A posição foi questionada pelo comentarista Bruno Riz, da TMC 88.7 FM, em parceria com a TV Sim Brasil.

Riz abriu o bloco perguntando se competitividade significa necessariamente trabalhar mais horas, e se o caminho não seria buscar maior produtividade por hora trabalhada, tanto para o empreendedor quanto para o empregado.

Roscoe respondeu que a discussão sobre jornada de trabalho não deveria ocorrer em momento eleitoral, por tratar do futuro do país e impactar gerações futuras. Segundo ele, falta explicar as consequências de toda a sociedade passar a trabalhar menos de forma compulsória.

"O que não é explicado é quais são as consequências quando toda a sociedade compulsoriamente vai trabalhar menos", disse o candidato.

Para Roscoe, se todo mundo trabalhar menos sem aumento de produtividade, tudo o que é produzido no país vai custar mais caro.

Por isso, segundo ele, a saída defendida pelo PL é a negociação bilateral entre trabalhadores e empregadores. O candidato afirmou que esse modelo já garante hoje uma jornada média no Brasil de 39 horas, e não de 44 horas.

Popularidade da medida e avanço no Senado

Bruno Riz rebateu citando números. Segundo pesquisas recentes citadas por Bruno Riz, a aprovação do fim da escala 6x1 entre eleitores e trabalhadores varia entre 68% e 73%.

O comentarista lembrou ainda que a proposta havia sido aprovada, no mesmo dia, na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Diante desse apoio popular, Riz perguntou diretamente se o candidato mantinha a discordância da pauta.

"Eu acho que o homem público ele deve antes de tudo defender aquilo que é o melhor para a sociedade mesmo que num determinado momento isso não seja popular", afirmou Roscoe.

O candidato completou dizendo que quem só defende pautas populares é populista na essência, e que ele próprio não se enquadra nessa definição, dizendo defender uma sociedade sustentável. Roscoe comparou a lógica da negociação de pautas eleitorais à vedação legal à compra de votos.

"Por que a justiça eleitoral proíbe candidatos oferecerem dinheiro? Porque você não pode comprar voto e você também não pode comprar voto com pautas eleitoreiras de curto prazo", declarou.

Ele defendeu um debate mais aprofundado sobre o tema, citando exemplos de outros países que teriam adotado medidas unilaterais semelhantes com resultados que classificou como não positivos.