O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, retirou nesta sexta-feira (4) o pedido do ministro Alexandre de Moraes para investigar o colega André Mendonça de dentro do inquérito das fake news. O pedido passa a tramitar no procedimento que já apura a relação de Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Fachin deu 5 dias para a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestar sobre a admissibilidade do pedido, e outros 5 dias para Mendonça responder às acusações de Moraes. Os dois casos ficam sob análise da Presidência do STF.
Moraes alega que Mendonça cometeu improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade ao direcionar investigações contra ministros da Corte. A lista inclui o próprio Moraes, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Luiz Fux e Nunes Marques.
Segundo Moraes, o objetivo seria desviar o foco das apurações sobre fraudes do INSS e do Banco Master, que também atingem o próprio Moraes e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre.
A crise começou depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal na terça-feira (1º). O documento reúne mensagens em que Vorcaro pede socorro a Moraes e descreve uma rede de monitoramento do banqueiro, com risco de infiltração em instituições da República.
Vorcaro está preso desde novembro de 2025, quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master por suspeita de fraude. É essa mesma relação entre o banqueiro e Moraes, revelada no relatório da PF, que hoje divide os ministros do STF.
Ao derrubar o sigilo, Mendonça argumentou que a publicidade é regra dos atos processuais e que o sigilo não pode prejudicar o interesse público na informação. Determinou ainda que o caso fosse à sessão pública do plenário.
Moraes apresentou o pedido de investigação contra Mendonça a Fachin na noite seguinte, quinta-feira (3).
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Fachin classificou as medidas como de instrução do caso, sem julgar a admissibilidade ou o mérito das alegações. A PGR já havia argumentado, em manifestação anterior, que investigar ministro do STF exige autorização do plenário.
É mais um capítulo de uma disputa entre ministros da mesma Corte que já rendeu decisões quase diárias desde quinta-feira (3). Todas giram em torno do rombo de R$ 56 bilhões do Banco Master que virou crise entre STF, PF e PGR.
O que acontece agora
A PGR e Mendonça têm até a próxima quarta-feira (9) para se manifestar sobre o pedido de Moraes. Depois disso, cabe a Fachin decidir se mantém o caso na Presidência ou o leva ao plenário.






































