As exportações brasileiras para os Estados Unidos caíram 9,7% no acumulado de 2026, para US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto, por causa das tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. Mesmo assim, a balança comercial do país fechou agosto com superávit de US$ 7,4 bilhões, alta de 23,8% sobre o mesmo mês do ano passado.

As tarifas em vigor somam até 37,5% sobre parte dos produtos brasileiros. O governo americano impôs, em julho, uma sobretaxa de 25% por supostas práticas comerciais desleais e outra de 12,5% por uso de trabalho forçado.

Apesar da queda no acumulado, agosto isolado foi positivo. As vendas aos EUA subiram 12,1% sobre agosto de 2025, para US$ 3,19 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

O resultado do ano mostra o efeito acumulado do tarifaço sobre as vendas brasileiras aos Estados Unidos, mesmo com a recuperação pontual de agosto.

No acumulado do ano, as exportações totais do Brasil cresceram 10,3%, para US$ 250,9 bilhões, impulsionadas pelas vendas a outros mercados. O superávit total de janeiro a agosto chegou a US$ 55,3 bilhões, alta de 28,2% sobre o mesmo período de 2025.

Cerca de 23% das exportações brasileiras aos Estados Unidos foram atingidas pelas novas tarifas, segundo o MDIC. O setor de carne bovina teve a queda mais forte, de 19,7% em agosto ante o mesmo mês de 2025.

Aço, madeira, sucos e derivados de origem animal também estão na lista de produtos mais afetados pela sobretaxa americana, segundo o MDIC.

Os exportadores já se anteciparam para não correrem o risco de serem tarifados na China com 55% do extracota.

afirmou Herlon Brandão, diretor de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, sobre a antecipação de embarques por parte dos exportadores.

A China também restringiu o produto. Estabeleceu cota de 1,106 milhão de toneladas para a carne bovina brasileira, com sobretaxa de 55% sobre o volume excedente. A exportação de carne bovina já havia recuado por causa do tarifaço chinês em agosto.

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O histórico do tarifaço

Trump havia imposto tarifa de 50% aos produtos brasileiros em 2025. A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou a medida em fevereiro deste ano, reduzindo a taxa a 10%, antes de o governo americano aplicar a nova sobretaxa de 25% em julho.

O que acontece agora

Dias antes, o governo brasileiro já havia classificado a tarifa de discriminatória em reunião com o representante comercial dos Estados Unidos.

Brasil e EUA reabriram as negociações sobre o tarifaço de 37,5% na semana passada. O Mdic projeta superávit de US$ 90 bilhões para 2026, mesmo com a disputa comercial em aberto.