A Polícia Federal confirmou nesta sexta-feira (4) que não produziu o laudo que circulava nas redes sociais absolvendo o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) de irregularidade na relação com o banqueiro Daniel Vorcaro. O documento, compartilhado pelo próprio deputado, tinha marcas de ter sido gerado por inteligência artificial.
O arquivo alcançou 500 mil visualizações no X antes de a farsa ser desmentida, na tarde desta sexta. O material apresentava uma suposta análise de mensagens do celular de Vorcaro sobre a relação com o deputado e concluía não haver elementos para caracterizar crime.
A Polícia Federal não elaborou o suposto relatório que circula nas redes sociais.
Em nota ao site de checagem Aos Fatos, a corporação informou ainda que não é responsável pela produção da imagem ou do texto apresentados no documento.
Uma análise técnica apontou ao menos quatro sinais de fraude no arquivo. O símbolo da PF tem diferenças no desenho das fitas, e a numeração dos itens salta do 7 para o 7.3.
O texto também tem um erro de português ("contato salvado") e traz emojis, raros em documento oficial.
O arquivo ainda trazia uma data suspeita. A extração dos dados aparece registrada em 18 de novembro de 2025, mesmo dia em que Vorcaro foi preso pela Polícia Federal.
Uma ferramenta de verificação de conteúdo sintético da OpenAI identificou no arquivo a marca SynthID, tecnologia usada para sinalizar imagens e textos gerados por inteligência artificial.
A farsa deixa de ser boato político e passa a ser tratada como possível falsificação de documento público.
Procurado, Nikolas afirmou que apenas repostou o conteúdo de outro perfil e disse ter apagado a publicação logo depois. O perfil no X que publicou o material original também removeu a postagem após o desmentido da PF.
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O episódio é mais um capítulo da crise entre o deputado e Vorcaro. Na quinta-feira (3), veio à tona um áudio em que Nikolas pede ajuda ao banqueiro para liberar um "ativo de minério", pedido feito em março de 2025.
Nesta mesma sexta, antes de o laudo falso circular, o deputado já havia confirmado o contato com Vorcaro, mas negado qualquer irregularidade.
Não é a primeira vez que material feito com inteligência artificial vira tema da disputa política deste ano. Dias atrás, o TSE julgou um vídeo com IA do pai exibido na convenção do PL, e Flávio Bolsonaro escapou de multa por causa dele.
O caso se soma à turbulência em torno do Banco Master, que teve um rombo de R$ 56 bilhões que virou crise política um ano depois de identificado.
A crise do Banco Master já é palco de outra disputa sobre documentos oficiais. Mais cedo esta semana, veio à tona que um relatório real da PF, sem valor de prova, foi usado contra o ministro Mendonça no STF.
O que acontece agora
O deputado Chico Alencar (PSOL) acionou a Procuradoria-Geral da República sobre o caso. A perícia da Polícia Federal segue avaliando a origem do documento falso, e a falsificação de documento público prevê pena de dois a seis anos de reclusão, mais multa.



























