Fazendeiros da região do rio Xingu, no Pará, ameaçam invadir a terra indígena Apyterewa caso Flávio Bolsonaro (PL) vença o 2º turno, em 25 de outubro, segundo áudios obtidos pela Folha. As mensagens foram enviadas por WhatsApp a indígenas parakanã.
Os oito áudios, revelados pela Folha, mencionam nominalmente Flávio Bolsonaro e preveem a invasão para o dia da votação. Por segurança, o jornal não divulgou a transcrição literal nem a identidade dos envolvidos.
Segundo a Folha, as mensagens dizem que os fazendeiros aguardam o resultado da eleição para entrar na terra indígena e construir fazendas no local, na expectativa de que Flávio, se eleito, e o governador eleito do Pará retirem o território dos Parakanã.
O governador eleito do Pará, Dr. Daniel (Podemos), declarou apoio a Flávio Bolsonaro no 2º turno em outubro. Procurado pela Folha sobre os áudios, ele disse, por meio de assessoria, que não vai comentar.
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A campanha de Flávio não respondeu à Folha até a publicação da reportagem. A gestão estadual do Pará também foi consultada e não se posicionou.
A Apyterewa tem histórico de violência. Pecuaristas chegaram a erguer uma vila dentro da área protegida, a chamada Vila Renascer, durante pico de desmatamento no governo de Jair Bolsonaro, segundo a Folha.
Os áudios e as ameaças foram pauta da reunião do Comitê de Desintrusão do governo Lula (PT) na última quinta-feira (8). PF, Ibama, Funai e o Ministério dos Povos Indígenas informaram à Folha que monitoram a situação.
O tema tem respaldo judicial: o STF já determinou a desintrusão de terras indígenas, mas a Funai enfrenta falta de recursos para cumprir a ordem.
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O episódio ocorre dias depois de um ataque a explosivos contra um prédio da Funai em terra indígena no Paraná, em 8 de outubro.
É inadmissível a depredação de um prédio público por extremistas que são contra os direitos dos povos indígenas, contra demarcações de terras indígenas, diz a presidenta da Funai, Lucia Alberta Baré.
As duas situações mostram pressão crescente sobre direitos indígenas no mesmo momento em que o país decide o 2º turno. O Ministério dos Povos Indígenas disse monitorar o que chamou de "aumento da pressão para a ocupação ilegal do território".
O que acontece agora
O 2º turno acontece em 25 de outubro, data citada nos áudios como o prazo para a invasão. O Comitê de Desintrusão segue acompanhando a situação, e PF e Funai mantêm o monitoramento das áreas citadas, segundo a Folha.





























