Um estudo publicado nesta segunda-feira (12) na revista Epidemiologia e Serviços de Saúde aponta cinco estratégias para reduzir a hesitação vacinal no Brasil, a partir de 48 revisões sistemáticas sobre o tema publicadas entre 2012 e 2024, encomendadas pelo Ministério da Saúde.

O levantamento cobre vacinas contra Covid, influenza, HPV, hepatite B, coqueluche e pneumococo.

A síntese foi elaborada a partir de uma chamada pública do Ministério da Saúde, com execução da Fiocruz Mato Grosso do Sul. Segundo os autores, as cinco medidas tendem a funcionar melhor quando aplicadas em conjunto, não isoladamente.

Quais são as cinco estratégias?

As cinco estratégias são comunicação adaptada a públicos diferentes, capacitação de profissionais de saúde, ampliação do acesso às vacinas, combate à desinformação e ações específicas para gestantes, sempre aplicadas em conjunto, segundo os autores do estudo.

  • Comunicação culturalmente sensível, com linguagem adaptada a cada grupo, lideranças comunitárias e religiosas, e uso de lembretes eletrônicos, SMS e chatbots para agendamento
  • Educação permanente para profissionais de saúde, com materiais visuais claros e lembretes sobre a oferta da vacina na rotina de atendimento
  • Ampliação do acesso, com horários estendidos, unidades móveis, vacinação em escolas e empresas e incentivos para a adesão
  • Combate à desinformação, com resposta a conteúdos falsos nas redes, prebunking e debunking, e monitoramento de conteúdo on-line
  • Estratégias específicas para gestantes, com materiais educativos sobre o momento certo da vacina e orientação direta nas consultas pré-natais

"Cada população, cada comunidade, vai sofrer barreiras diferentes para se vacinar", afirma Ana Paula da Costa Marques, professora de microbiologia do Instituto de Biociências da UFMS (Universidade Federal de Mato Grosso do Sul) e uma das autoras do estudo.

Por que a desinformação preocupa tanto?

A desinformação preocupa porque, segundo o estudo, é mais barato preveni-la do que combatê-la depois de disseminada entre a população. "É muito melhor prevenir a desinformação do que trabalhar nela depois que ela já foi disseminada", diz Marques.

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O Brasil sentiu esse efeito: somou 18 casos de sarampo em 2026, doença que a vacinação já havia quase eliminado no país. O pediatra Juarez Cunha, da SBIm, diz que a falta de confiança nas vacinas afasta a população da imunização.

Duas das estratégias do estudo já aparecem em iniciativas no país. A vacinação contra HPV dentro das escolas busca reduzir barreiras de deslocamento para adolescentes.

O combate à desinformação também já entrou no debate público. Em setembro, o presidente Lula classificou a desinformação sobre vacina como crime, em meio a críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro.