O abutre-barbudo (Gypaetus barbatus), ave de rapina que vive em regiões montanhosas da Europa, da Ásia e da África, tem até 90% da dieta composta por ossos, segundo o Metrópoles. Para engolir os maiores, a ave usa uma técnica batizada de quebra-ossos.

Como funciona a técnica do quebra-ossos

Ossos de até 20 centímetros são ingeridos direto. Os maiores, a ave carrega a uma altura de 100 a 150 metros e solta sobre as rochas para quebrá-los antes de comer, segundo o levantamento do Metrópoles.

“Depois de ingerido, o osso encontra um sistema digestório altamente especializado”, explica o biólogo Rafael Moreira, do Parque Três Pescadores, em São Paulo.

“O estômago do abutre-barbudo apresenta uma acidez extremamente elevada, com pH inferior a 1, capaz de dissolver grande parte do material ósseo em aproximadamente 24 horas”, completa o biólogo.

A remoção de ossos, que somam até 90% da dieta da espécie, também cumpre papel ecológico. Carcaças ficam repletas de bactérias, e a ave ajuda a impedir a proliferação de doenças e a contaminação de nascentes e solos.

“Em termos energéticos, uma quantidade de osso pode fornecer ao abutre uma quantidade de energia próxima à obtida com a mesma massa de carne”, diz Moreira.

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É adaptação que praticamente nenhuma outra ave do mundo consegue repetir.

No Brasil, o parente mais próximo do abutre-barbudo é o urubu. Mas, diferentemente do europeu, o urubu brasileiro não costuma comer a parte óssea do animal morto. É adaptação extrema que também aparece na borboleta Vanessa, que usa cor e metamorfose para sobreviver.

A espécie enfrenta ameaças como o consumo de iscas envenenadas e colisões com redes elétricas nas regiões onde vive, na Europa, na Ásia e na África.