O uso malicioso da inteligência artificial, inclusive para criar armas biológicas, e a guerra nuclear estão entre as 17 ameaças que podem levar a humanidade à extinção até o ano 2100, segundo estudo da revista The Lancet, elaborado por uma comissão de 35 especialistas.

A análise foi elaborada pela Comissão Lancet sobre Ameaças Globais à Saúde no Século 21 e apresentada na Cúpula Mundial da Saúde, em Berlim, neste domingo (11). O levantamento aponta 17 grandes ameaças à saúde humana nos próximos 75 anos.

Para classificar as ameaças, os pesquisadores estimaram quantos anos de vida saudável poderiam ser perdidos até 2100, medida conhecida como DALYs (sigla em inglês para anos de vida ajustados por incapacidade).

Das 17 ameaças, apenas duas têm potencial de extinção: o uso malicioso de inteligência artificial e o conflito nuclear, segundo o estudo. O levantamento não é um alarme solto: é um mapa de prioridades para quem decide políticas públicas hoje.

Uma guerra nuclear poderia causar fome em escala global, caso partículas lançadas na atmosfera bloqueassem a luz solar e prejudicassem a produção de alimentos, segundo a Folha. Outro cenário envolve o desenvolvimento de armas biológicas com uso malicioso de inteligência artificial.

A escala dos danos, caso se concretizem, infligiria um apocalipse à humanidade, diz editorial publicado junto com o estudo na revista The Lancet.

Ibrahim Abubakar, membro da comissão e professor de epidemiologia de doenças infecciosas da University College London (UCL), disse ao The Guardian: "Não estamos partindo do princípio de 'olha, queremos assustar vocês porque temos X ameaças à humanidade'".

Entre as ameaças catastróficas estão a poluição do ar, a resistência antimicrobiana, o colapso climático, os conflitos convencionais, a obesidade e os problemas de saúde mental, segundo a Folha. Um levantamento mostrou como a crise climática aprofunda perdas de vidas e desigualdade social no país.

Publicidade

O risco ligado à IA não é só existencial. No Brasil, uma executiva já alertou que a tecnologia pode eliminar 90 milhões de empregos no mundo.

O uso da IA já avança rápido no setor público brasileiro: 59% dos órgãos públicos do país já utilizam a tecnologia, segundo o CGI.br.

O que acontece agora

A comissão recomenda que governos usem o levantamento para priorizar políticas públicas, já que a magnitude de cada ameaça indica onde a ação tem mais impacto, segundo Abubakar. O relatório completo foi publicado em 10 de outubro na revista The Lancet.