A China sancionou nesta semana os ministros das Comunicações do Paraguai e das Relações Exteriores de Belize por apoiarem a manutenção de laços diplomáticos com Taiwan. O episódio expõe um dilema que o Brasil também enfrenta, mesmo sem reconhecer Taipei.
As sanções miram Gustavo Villate, ministro das Comunicações do Paraguai, e Francis Fonseca, chanceler de Belize. Pequim congelou bens dos dois na China e proibiu empresas chinesas de negociar com eles.
Segundo nota da diplomacia chinesa, as autoridades dos dois países "multiplicaram declarações e atos inadmissíveis sobre temas relacionados à China", prejudicando "os interesses fundamentais" do país.
As sanções vieram dois dias depois do Dia Nacional de Taiwan, quando o ministro paraguaio publicou mensagens elogiando a amizade com a ilha. O caso já é pano de fundo do atrito entre o Paraguai e a China dentro do Mercosul.
O Brasil segue a política de "Uma Só China" desde a retomada das relações diplomáticas, na década de 1970, posição reafirmada pelo governo Lula.
Na prática, o Brasil trata o status de Taiwan como assunto interno de Pequim, a mesma linha adotada pelos Estados Unidos e pela maioria dos países do mundo.
O Brasil pratica, na prática, uma neutralidade que países menores como Paraguai e Belize não têm margem para sustentar. A China é o maior parceiro comercial do Brasil há 17 anos consecutivos.
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Em 2025, o comércio entre os dois países somou US$ 171 bilhões, maior valor da série histórica: cerca de US$ 100 bilhões em exportações brasileiras e US$ 70,9 bilhões em importações.
No primeiro semestre de 2026, o intercâmbio já somava US$ 96,8 bilhões, num momento em que a China reafirma apoio à soberania brasileira.
Ao mesmo tempo, o Brasil depende de semicondutores fabricados em Taiwan para setores como o automotivo e o de máquinas agrícolas de precisão, item sem substituto imediato na cadeia produtiva. A disputa por chips entre as potências já trava negociações entre EUA e China.
O ponto em aberto
O Brasil mantém a política de "Uma Só China" sem abrir mão da tecnologia taiwanesa, equilíbrio que funciona enquanto Pequim não cobra o mesmo preço exigido do Paraguai e de Belize.
O comércio bilateral bate recorde e a disputa por chips se acirra. A pergunta é até quando essa ambiguidade segue possível para o Brasil, sem pesar contra o maior parceiro comercial nem contra o fornecedor da peça que a indústria não tem como substituir.





























