Os Estados Unidos elegem toda a Câmara dos Representantes e um terço do Senado em 3 de novembro, com a popularidade do presidente Donald Trump em queda. O resultado pode dar aos democratas maioria para votar o fim das tarifas contra produtos brasileiros.
Segundo o Metrópoles, a queda de popularidade de Trump já ameaça o desempenho do Partido Republicano nas urnas. Um dos sinais mais claros está no Texas.
O presidente viajou ao estado três vezes em menos de um mês para reforçar a candidatura do procurador-geral Ken Paxton ao Senado. O democrata James Talarico chegou a abrir sete pontos de vantagem em pesquisa do New York Times.
Texas não elege um democrata para o Senado desde 1988.
No Congresso, os republicanos controlam hoje as duas Casas. No Senado, a vantagem é de 53 a 47, e a oposição precisa de quatro cadeiras para virar o jogo.
Na Câmara, os democratas precisam de apenas três cadeiras líquidas para assumir a maioria, um número bem menor. É por isso que o foco da disputa de novembro está na Câmara.
O que muda para o tarifaço brasileiro
A disputa pela Câmara interessa ao Brasil: é lá que tramita a principal tentativa de barrar as tarifas.
Em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA decidiu, por 6 a 3, que a lei de poderes de emergência (IEEPA) não autoriza tarifas amplas sem aval do Congresso.
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A Constituição americana reserva ao Legislativo, não ao Executivo, o poder de taxar o comércio exterior. A decisão derrubou a tarifa recíproca de 10% e a sobretaxa de 40% que incidia sobre produtos brasileiros fora da lista de isenções.
Trump substituiu a cobrança por tarifas amparadas na Seção 122 da lei de comércio americana, que podem durar até 150 dias sem aprovação do Congresso. Passado esse prazo, a manutenção das tarifas depende do aval do Legislativo.
O deputado democrata Richard Neal, principal nome da oposição na Comissão de Finanças da Câmara, disse em fevereiro ser hora de os democratas "começarem a pensar em petições de descarga relacionadas ao Brasil", mecanismo que força uma votação mesmo contra a vontade da liderança republicana.
Ele citou o apoio de seis republicanos a um projeto contra tarifas ao Canadá como sinal de que o tema pode atrair votos dos dois partidos.
Em discurso mais recente no plenário, Neal citou o Brasil como exemplo do uso do poder tarifário por Trump e defendeu que cabe ao Congresso, não à Casa Branca, decidir sobre taxação do comércio exterior.
Antes da decisão da Suprema Corte, cinco senadores já haviam apoiado resolução para barrar as tarifas contra o Brasil, entre eles a democrata Jeanne Shaheen e o republicano Rand Paul.
A ferramenta que Neal menciona só tem força real com maioria democrata na Câmara. Por isso a eleição de 3 de novembro pesa além da política interna americana.
Ela pode decidir se o embate entre Trump e a Suprema Corte sobre tarifas termina com produto brasileiro livre da sobretaxa ou sob nova cobrança.
O desgaste também aparece dentro do próprio partido. Nomes importantes do Partido Republicano já começaram a se afastar de Trump, movimento que a disputa pelo Texas deixa mais visível.
O que acontece agora
O resultado de 3 de novembro define o 120º Congresso americano. Só então ficará claro se os democratas têm números para acionar a discharge petition contra as tarifas brasileiras.
Até lá, o governo brasileiro segue apostando em acordo bilateral para reduzir a cobrança sobre o aço, hoje taxado a 50%.





























