A China impôs sanções nesta segunda-feira (12) ao ministro das Comunicações do Paraguai e ao chanceler de Belize, por causa das relações dos dois países com Taiwan. As medidas incluem proibição de vistos para Hong Kong e Macau, segundo o g1 e a CNN Brasil.

O Ministério das Relações Exteriores da China atribuiu as sanções à soberania e à segurança nacional. Chamou os políticos sancionados de “anti-China” por pressionarem Paraguai e Belize a manter laços com Taiwan.

Paraguai e Belize são dois dos apenas 12 países do mundo que mantêm relações diplomáticas formais com Taiwan. O Paraguai é o único da América do Sul nessa lista, um vínculo que já dura 66 anos.

O presidente Santiago Peña diz que o Paraguai está aberto a negociar com a China como bloco do Mercosul, mas não abre mão do laço com Taiwan. O apoio a Taiwan já prejudicou as exportações de soja paraguaia à China, segundo o Latinoamérica21.

Para a China, o impasse pesa porque o Paraguai integra o Mercosul ao lado do Brasil, da Argentina e do Uruguai. Os dois países cooperam em outras pautas do bloco, como o pedido paraguaio de volta da Venezuela ao Mercosul, feito com aval brasileiro.

O comércio entre Brasil e China somou US$ 171 bilhões em 2025, mais que o dobro da corrente comercial com os Estados Unidos, segundo o recorde já registrado neste ano.

Em julho, Lula e o presidente chinês Xi Jinping combinaram acelerar o acordo comercial entre Mercosul e China, nas negociações em que o Paraguai também tem assento.

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Em setembro, o chanceler de Belize se reuniu com o homólogo de Taiwan. Em junho, foi a vez de um ministro paraguaio encontrar o vice-chanceler taiwanês, episódios que a China citou como motivação das sanções.

A China já afirmou que vai manter relações com o Brasil mesmo se Flávio Bolsonaro vencer o 2º turno, segundo nota divulgada pelo governo chinês. Ao Paraguai, Pequim reserva sanção; ao Brasil, reserva garantia de continuidade.

É a posição isolada de um sócio pequeno pesando no bloco inteiro.

O que pesa na mesa do Mercosul

O Paraguai diz que não fecha a porta a uma negociação do Mercosul com a China como bloco, mesmo mantendo o laço bilateral com Taiwan.

Falta saber se a posição isolada do menor sócio do grupo vai pesar nessa mesa, justamente quando o Brasil tem na China seu maior parceiro comercial, à frente dos Estados Unidos.