O fundador do Orkut, Orkut Büyükkökten, anunciou nesta semana um projeto de nova rede social. Uma contagem regressiva no site oficial terminou em uma carta assinada por ele, com formulário para quem quiser se cadastrar. Não há data de lançamento nem confirmação do relançamento.

A carta critica as redes sociais atuais: segundo o texto, as plataformas de hoje priorizam a disputa pela atenção do usuário. O fundador cita como preocupação os perfis automatizados, o conteúdo feito por inteligência artificial e os deepfakes.

O tema não é abstrato no Brasil: em outubro, o ex-presidente Michel Temer denunciou vídeos falsos feitos com IA que o fazem criticar o STF.

Um perfil sintético de eleitor feito por IA já custa R$ 65 mil no mercado, um terço do preço de uma pesquisa real.

O Brasil tem um capítulo especial na história do Orkut. Em junho de 2004, o país assumiu a liderança de uso da rede, com 30,63% dos acessos, o que levou o Google a lançar uma versão em português em 2005.

Em 2008, ano em que o Google comprou a rede, mais da metade dos usuários do Orkut já eram brasileiros. O peso do público levou a empresa a transferir a sede administrativa da plataforma da Califórnia para Belo Horizonte, em Minas Gerais.

O Brasil não foi só mais um mercado do Orkut: foi o país que decidiu o destino da empresa, a ponto de puxar sua sede para dentro de Minas Gerais.

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A rede chegou a ter mais de 300 milhões de usuários no mundo antes de ser superada pelo Facebook no fim da década de 2000 e encerrada de vez em 2014.

O mercado de hoje é outro: o RCS, sucessor dos SMS entre apps de mensagem, já soma 145 milhões de usuários ativos no Brasil, mais que o triplo do auge brasileiro do Orkut.

O que se sabe até agora

Até agora, o novo projeto tem só uma carta e um formulário de interesse. Não há nome definido, não há data de lançamento, e o site não permite criar perfil nem fazer login.

O que falta provar

O anúncio ainda não responde à pergunta mais importante: como financiar uma rede social sem repetir o modelo de disputa pela atenção que a própria carta do fundador critica.

Sem data de lançamento, sem produto e sem detalhe sobre moderação de conteúdo feito por IA, a proposta por enquanto é só intenção.

O Orkut original também nasceu como experimento e se tornou fenômeno no Brasil antes de ser superado pela concorrência. A pergunta é se a nova tentativa evita o mesmo caminho.