Artefatos explosivos atingiram a entrada de uma unidade da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) em São Jerônimo da Serra (PR), na noite de quinta (8). A explosão quebrou janelas e danificou o prédio; não havia ninguém no local, e não houve feridos.
A unidade atingida é a Unidade Técnica Local (UTL), instalada dentro da Terra Indígena São Jerônimo. Segundo o Ministério dos Povos Indígenas (MPI), a Funai registrou boletim de ocorrência e acionou a Polícia Federal e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para apurar a autoria.
"Não queremos violência, não queremos ameaça aos nossos servidores", disse a presidenta da Funai, Lucia Alberta Baré, em vídeo publicado nas redes sociais após o ataque.
Em nota, Funai e MPI afirmaram que o Estado brasileiro não se intimidará diante de tentativas de coação e que vai continuar a garantir e proteger os direitos dos povos indígenas.
O que explica a tensão na região
A região soma disputas fundiárias antigas envolvendo os povos Guarani Ñandeva, Kaingang e Xetá, que reúnem cerca de 670 pessoas no município.
Desde o início do ano, 42 famílias Xetá reocupam a Terra Indígena Herarekã Xetá, reivindicada desde 1999 — tema que volta ao julgamento do marco temporal das terras indígenas no STF, segundo o Conselho Missionário Indigenista (Cimi).
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A área reivindicada pertence a um morador de Curitiba e já foi cenário de incêndios criminosos, aponta o Cimi. A Funai, responsável por mediar esse tipo de conflito, já enfrenta falta de recursos para cumprir decisões de desintrusão do STF em outras terras.
O que acontece agora
A Polícia Federal e a Abin investigam a autoria e a motivação do ataque, sem suspeito identificado até a publicação desta matéria. O caso se soma a um histórico de incêndios criminosos na área em disputa, segundo o Cimi.





























