A deputada estadual eleita Sofia Favero (PSol) protocolou, na segunda-feira (7), representação no Ministério Público de São Paulo (MP-SP) contra a colega Eduarda Campopiano (PL). A denúncia aponta transfobia em post que chamou a deputada federal reeleita Erika Hilton (PSol) de "homem biológico".

Campopiano publicou o texto na madrugada de 5 de outubro, horas depois do fechamento das urnas. Ela se tornou a deputada estadual mais votada de São Paulo, com 1.956.238 votos.

Hilton, por sua vez, foi reeleita para a Câmara dos Deputados com 1.596.472 votos. É a maior votação de uma mulher na história da Casa.

No post, feito no X (antigo Twitter) e visto mais de 3 milhões de vezes, Campopiano escreveu:

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Oi Erika Hilton. Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo?

A publicação saiu um dia depois de Hilton registrar boletim de ocorrência por uma ameaça de morte recebida por e-mail, na véspera da votação. O remetente, não identificado, afirmou ter acesso a dados pessoais e ao endereço da deputada.

Ele escreveu que iria matá-la "em breve", mencionando um "banho de sangue". Hilton reforçou a própria segurança e atrasou a ida às urnas por causa do episódio.

A denúncia transforma a troca de farpas nas redes em processo formal, dias antes de Favero e Campopiano assumirem mandato na mesma Alesp. Favero é a segunda mulher trans eleita na história da Casa paulista e foi apadrinhada por Hilton na campanha.

O que diz a defesa de Campopiano

A defesa nega intenção discriminatória e trata o post como debate político, não como ataque. Em nota ao site TNH1, a equipe de Campopiano chamou a publicação de "manifestação provocativa realizada no contexto de debate político".

A nota afirma que não houve intenção de promover discriminação e que as questões jurídicas seriam enfrentadas "pelos meios processuais adequados". Campopiano não deu entrevista sobre o caso até a publicação desta matéria.

O que fica para a nova Alesp

A Assembleia Legislativa de São Paulo renovou 39 das 94 cadeiras em 2026, com o PL na liderança da nova composição. Favero e Campopiano tomam posse na mesma legenda legislativa onde o episódio já marcou a relação antes do primeiro dia de mandato.

Casos de ataque a parlamentares trans não são isolados. Em junho, uma vereadora do Sul de Minas relatou ataques transfóbicos nas redes sociais.

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Hilton também já foi alvo de um processo no Conselho de Ética por outro post, o que mostra como a disputa em torno dela extrapola o novo Congresso.

Em entrevista ao Metrópoles, Favero disse que pretende focar o mandato em pautas como segurança das mulheres e apoio a estudantes.

Resumiu o que a motiva: "A gente precisa edificar o debate político no Brasil. Não é para isso que a gente se candidata, não é para isso que a gente se dispõe a representar a população."