A Argentina tinha, em julho deste ano, menos empresas com empregados do que no pior momento da pandemia. São 480.067 empregadores ativos, abaixo das 486.782 unidades registradas em setembro de 2021, segundo a Superintendência de Riscos do Trabalho do país.

Desde que Javier Milei assumiu a Presidência, em dezembro de 2023, 32.290 empresas deixaram de operar no país. É o 18º mês seguido de queda no número de empregadores ativos, o pior patamar desde julho de 2007.

O que os números mostram sobre o emprego?

O fechamento de empresas afeta diretamente o emprego formal. A Argentina perdeu 121 mil postos de trabalho em 12 meses, com 6,096 milhões de trabalhadores formais registrados até julho deste ano.

A atividade econômica (EMAE) recuou 2,9% em julho ante junho, e 1,4% na comparação com julho de 2025, mesmo com o acumulado do ano ainda positivo, de 1,7% nos sete primeiros meses de 2026.

O Banco Mundial já revisou a projeção de crescimento do PIB argentino para 2026, de 3,6% para 2,1%. O consenso de analistas privados aponta para uma faixa ainda menor, entre 1,2% e 1,5%.

O que dizem os críticos e o governo argentino?

Para o economista Hernán Letcher, diretor do Centro de Economia Política Argentina (Centro Cepa), o cenário é "crítico". "São dois trimestres de queda da atividade econômica. Uma recessão garantida", diz.

Letcher cita queda de cerca de 10% no salário real, mais de 400 mil empregos perdidos no setor público e privado, e capacidade instalada abaixo de 40% em setores como automotivo, têxtil e plástico.

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O governo argentino rebate as críticas. Argumenta que evitou as crises cambiais recorrentes do país, com os setores de mineração, energia e agro registrando resultados positivos no período.

A relação entre os governos brasileiro e argentino também tem sido tensa. Em julho, Milei acusou o Brasil de financiar uma campanha contra seu governo.

O modelo argentino já rendeu debate no Brasil: em setembro, economistas brasileiros afirmaram que o ajuste à moda Milei não cabe no país, citando as diferenças entre as duas economias.

O desgaste social do ajuste também aparece nos salários: em setembro, o salário médio argentino acumulava perda de 39% desde a posse de Milei, mesmo com a inflação em queda.

O ponto em aberto

Os números argentinos resumem o trade-off do ajuste ortodoxo: inflação sob controle e contas públicas mais equilibradas, mas um parque empresarial menor do que no pior momento da pandemia e quase dois anos seguidos de fechamento de empresas.

O que esse período ainda não responde é se o atual patamar de empresas e empregos é um custo temporário de transição, como defende o governo argentino, ou um novo piso permanente da economia do país.