O setor global de lançamentos de foguetes teve o ano mais movimentado da história em 2025. Mas vive um temor crescente de escassez, à medida que a SpaceX passa a priorizar o Starship em vez do Falcon 9, segundo a Folha.

A BryceTech contabilizou 325 lançamentos orbitais em 2025, 25% a mais que em 2024, colocando 4.544 espaçonaves em órbita, alta de 54%. Ainda assim, o temor domina o setor.

Caleb Henry, diretor de pesquisa da Quilty Space, resumiu o clima: "Acho que 'pânico' é a palavra-chave aqui". O tema foi o principal assunto da World Space Business Week, em Paris, em meados de setembro, segundo a Folha.

A causa do temor é a própria SpaceX, força dominante do setor: seu Falcon 9, barato e confiável, é o principal veículo de lançamento da empresa. Em 2025, a companhia fez 43 lançamentos para clientes externos.

A Rocket Lab, concorrente mais próxima da SpaceX no mercado comercial, fez 18 voos em 2025. Seu foguete Electron, porém, tem menos de 2% da capacidade de carga do Falcon 9, segundo a Folha.

A SpaceX migra para o Starship, reutilizável e maior. Em 28 de setembro, a empresa lançou o 1º voo orbital da Starship com satélites Starlink.

A diretora de operações da SpaceX, Gwynne Shotwell, disse que a empresa quer "tornar obsoletos nossos próprios produtos" antes que as rivais o façam, segundo a Folha. Para concorrentes, o avanço do Starship já preocupa.

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2026 deve ser o primeiro ano em que o número de voos do Falcon 9 cai, em vez de aumentar. Segundo Simon Potter, da BryceTech, comenta-se no mercado que será impossível comprar um lançamento do Falcon 9 depois de 2028.

O aperto na oferta global coincide com a estreia comercial do Brasil no setor. O país deve ter seu primeiro lançamento comercial de foguete na Base de Alcântara (MA) entre 13 de outubro e 7 de novembro, com o HANBIT-Nano, da startup sul-coreana Innospace.

A tentativa já foi adiada antes: em agosto, a FAB interrompeu o voo do mesmo foguete sul-coreano pela 2ª vez. A operação, batizada Spaceward, é conduzida em conjunto pela Agência Espacial Brasileira (AEB) e pela FAB.

O Brasil também tem ambição própria no setor: cinco empresas constroem o primeiro foguete brasileiro capaz de ir à órbita.

O que acontece agora

A expectativa do setor é que a escassez do Falcon 9 force fabricantes de satélites a negociar contratos com outras empresas, como Rocket Lab e Blue Origin, enquanto a SpaceX testa o Starship em voos cada vez maiores, segundo a Folha.