O Paquistão suspendeu neste domingo (11) o governo da província de Khyber Pakhtunkhwa, a única administrada pelo partido do ex-primeiro-ministro preso Imran Khan. O presidente Asif Ali Zardari decretou estado de emergência horas antes de uma marcha do PTI chegar a Islamabad.

O ministro-chefe da província, Sohail Afridi, foi preso horas depois.

Segundo o gabinete paquistanês, a medida tem como motivo o "afastamento deliberado" do combate ao terrorismo pelo governo provincial. Khyber Pakhtunkhwa é a única província governada pelo Pakistan Tehreek-e-Insaf (PTI), partido de oposição ligado a Khan.

A Constituição do país permite que o governo federal assuma as funções executivas de uma província e que o parlamento legisle em seu nome.

Além de Afridi, foi detido Junaid Akbar, presidente do PTI na província, segundo o partido. Em nota à Al Jazeera, o PTI classificou as prisões como parte de uma "perseguição política" que tenta enfraquecer a liderança eleita e as instituições democráticas da região.

Trata-se de um erro político extremamente grave e alarmante, além de uma medida antidemocrática. O povo jamais aceitará tais ações contra os seus direitos.

A frase é do advogado Gohar Khan, presidente nacional do PTI, publicada na rede social X. O porta-voz do partido, Zulfikar Bukhari, chamou a decisão de "ridícula" e disse que ela só vai gerar mais instabilidade.

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A marcha começou em 4 de outubro, na cidade de Lakki Marwat, no sul da província, com destino a Islamabad.

Os manifestantes já haviam percorrido mais de 400 quilômetros e chegado a Swabi, a 110 km da capital, quando o regime de emergência foi decretado.

A intervenção tira do PTI o controle da única província que o partido administra, horas antes de a marcha chegar à capital. Segundo o jornal paquistanês Express Tribune, a mobilização perdeu força depois das prisões.

O Paquistão vive um ano de tensão política e de segurança. Em setembro, o país já havia atacado o Afeganistão e reacendido o conflito na fronteira entre os dois países.

Khan, primeiro-ministro entre 2018 e 2022 e ex-jogador de críquete, está preso desde agosto de 2023. Ele enfrenta dezenas de processos que sua defesa descreve como politicamente motivados.

O que acontece agora

Faisal Karim Kundi, governador indicado pelo governo federal, assume a chefia do executivo provincial, com apoio de um conselho consultivo de 11 membros.

A ordem presidencial não especifica quando a intervenção vai terminar.

Com a marcha enfraquecida e as principais lideranças do PTI na província presas, o próximo passo é do partido: insistir em chegar a Islamabad ou recuar para reorganizar a campanha pela soltura de Khan.