O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, rejeitou nesta segunda-feira (14) a proposta do candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) de dividir o banco em duas instituições, uma delas dedicada a micro, pequenas e médias empresas. A declaração foi feita em evento do Grupo Esfera, em São Paulo.
"Um banco com 3 mil servidores, se você dividir por meio, não vai cuidar de micro e pequena empresa, porque não temos nem agência nos Estados", disse Mercadante.
Segundo Mercadante, o BNDES aprovou 1,723 milhão de operações para micro, pequenas e médias empresas nos últimos 3,5 anos, somando R$ 324 bilhões em crédito. A taxa de inadimplência dessas operações é de 0,05%.
No mesmo período, os ativos do banco cresceram de R$ 620 bilhões para R$ 1,1 trilhão. O BNDES opera com uma rede de cerca de 80 agentes financeiros, entre bancos privados e cooperativas, para distribuir crédito sem manter agências próprias nos estados.
O último concurso do banco teve 92 mil inscrições para cerca de 3 mil vagas de quadro de pessoal.
Cury, de 67 anos, é médico psiquiatra e escritor, e disputa a Presidência pela primeira vez, sem passagem anterior por cargo eletivo. A proposta de dividir o BNDES integra o programa "O Brasil dos Nossos Sonhos", que também prevê a adoção do semipresidencialismo no país.
A proposta ganha peso porque Cury deixou de ser candidato marginal nas pesquisas. O instituto Nexus/BTG Pactual o coloca em 3º lugar, com 11% das intenções de voto no 1º turno, atrás de Lula (37%) e Flávio Bolsonaro (31%).
A Real Time Big Data mostra números parecidos para Cury, entre 10% e 11% no 1º turno.
Nenhum candidato fora da dupla Lula-Flávio havia passado de 10% desde o início do ano — Cury quebrou essa barreira e passou a se apresentar como uma "terceira via" na disputa. Entre eleitores de 16 a 24 anos, ele tem 22% das intenções de voto.
O tema chega a uma corrida presidencial com cada vez menos debates diretos entre os candidatos, o que reduz as chances de Cury confrontar Mercadante ou os demais concorrentes sobre o plano.
O que acontece agora
Mercadante segue no cargo até o fim do mandato de Lula, e o BNDES deve continuar como alvo de propostas de reforma ao longo da campanha. Cury ainda não detalhou como financiaria a criação de um banco separado para pequenos negócios.


























