As vendas do varejo restrito caíram 0,8% em julho ante junho, no dado dessazonalizado da Pesquisa Mensal de Comércio, do IBGE, e indicam esgotamento da demanda sob juros altos. Móveis e eletrodomésticos (-4,9%) e vestuário (-3,2%) puxaram a queda, mesmo com inflação de alimentos mais baixa e crédito em expansão.

O varejo ampliado, que inclui veículos e material de construção, subiu 0,4% no mesmo período. A média móvel trimestral do varejo restrito ficou em -0,1%, sinal de estagnação.

Na comparação com julho de 2025, o varejo restrito ainda cresce 1,2%, e o acumulado de 2026 está em alta de 1,8%. Supermercados alternam entre resultados positivos e negativos desde fevereiro.

Por que a demanda esgota mesmo com fatores favoráveis

Segundo economistas ouvidos pela reportagem, o consumo caiu mesmo com inflação de alimentos mais baixa, expansão de crédito e crescimento de renda. Isso indica que o peso do endividamento das famílias já supera esses fatores favoráveis.

O que acontece agora

Os dados reforçam a expectativa de corte de juros pelo Copom, que decide a Selic nesta semana. A taxa está em 14% ao ano.

A projeção é de que a Selic termine 2026 em 13,5%, patamar ainda considerado restritivo pelo mercado.

O consumo mais fraco aparece ao lado de outra pressão sobre o orçamento das famílias: o aluguel, que sobe o dobro da inflação no Brasil.