O Ministério Público Eleitoral já contesta 1.020 registros de candidatura às eleições de 2026 em todo o país, cerca de 5% das quase 21 mil candidaturas apresentadas. O número saltou dos 974 casos de 26 de agosto depois que o TRE-BA barrou a candidatura do deputado Kléber de Almeida, o Binho Galinha, apontado como líder de organização criminosa.

Binho Galinha é alvo de quatro ações penais que apontam que ele ocupou posição de liderança numa organização criminosa investigada pelas Operações El Patrón, Hybris e Estado Anômico, que apuram jogo do bicho, agiotagem, extorsão e lavagem de dinheiro.

Preso desde outubro do ano passado, o deputado já recebeu pena de 36 anos por posse ilegal de arma de fogo e crimes conexos. Mesmo assim, registrou candidatura à reeleição para a Assembleia Legislativa da Bahia.

Por que o TRE-BA negou a candidatura?

O TRE-BA negou o registro por unanimidade nesta segunda-feira (14), acompanhando o entendimento do Ministério Público Eleitoral, que apontou suposta ligação do parlamentar com uma organização de natureza paramilitar.

A defesa contesta o enquadramento e afirma que não há prova suficiente de participação em organização paramilitar. Ela tem três dias, a partir da publicação da decisão, para recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral.

Onde estão concentradas as contestações?

São Paulo lidera com 557 candidaturas contestadas, seguido por Maranhão e Paraíba, com 55 cada, Minas Gerais, com 43, e o Distrito Federal, com 42. No Rio de Janeiro, sete impugnações citam envolvimento com organização criminosa.

O Distrito Federal já teve um caso decidido: o TRE-DF barrou a candidatura de Arruda e o ex-governador perdeu o prazo para indicar substituto. Em Minas Gerais, o ex-ministro Anderson Adauto também teve o registro negado para disputar uma vaga de deputado pelo estado.

Segundo o TSE, 309 registros já foram bloqueados neste ano. Outros 829 foram negados mas ainda aguardam o julgamento de recursos, grupo em que o caso de Binho Galinha entra agora.

O que acontece agora

A defesa de Binho Galinha tem até esta quinta-feira (17) para recorrer ao TSE. Em paralelo, o STF julga uma mudança na Ficha Limpa que pode afetar casos como este.