A saúde brasileira desperdiça entre R$ 240 bilhões e R$ 360 bilhões por ano, segundo documento lançado nesta terça-feira (15) pela FESAÚDE e pelo SindHosp, na sede da Fiesp, em São Paulo. O cálculo aplica ao gasto total do setor o parâmetro internacional de 20% a 30% em práticas que não geram valor ao paciente.

O documento, batizado "Os 5 Inegociáveis da Saúde", propõe cinco eixos permanentes para cobrar políticos. São eles paciente único, dados estruturados, acesso qualificado, cuidado padronizado e desperdício contido.

Uma das medidas sugeridas é criar um "Atlas do Desperdício em Saúde", que mediria as perdas por categoria, região e nível de atenção.

Cortar 20% do desperdício atual liberaria R$ 72 bilhões por ano para o SUS e para a saúde suplementar, segundo o próprio documento. É dinheiro que hoje não chega ao leito nem ao atendimento.

Números de organismos internacionais dão a mesma direção. Um estudo do Banco Mundial estimou a eficiência dos hospitais brasileiros em apenas 29%, com ineficiência que chega a 71% nos serviços secundários e terciários do país.

A ocupação de leitos no SUS gira em torno de 45%, contra 71% na média da OCDE. Hospitais brasileiros também empregam, em média, 50% mais funcionários por leito do que os da OCDE.

O problema não é só do sistema público. Um levantamento do setor de planos de saúde privados, feito pelo IESS, identificou R$ 28 bilhões em fraudes e desperdícios nas operadoras, em metodologia própria.

O governo federal já sente esse aperto. Em setembro, reclassificou R$ 5,2 bilhões em despesas para não precisar gastar mais com saúde dentro do teto fiscal.

O que a TV Sim observa

Os números mudam de estudo para estudo, mas a direção não muda. Parte considerável do que se gasta em saúde no Brasil não chega a quem precisa dela.

A proposta de um Atlas do Desperdício tenta resolver um problema anterior ao próprio corte de gastos. Hoje, ninguém sabe com precisão onde o dinheiro se perde.