A confiança dos americanos na vacina tríplice viral caiu a 76% em 2026, oito pontos percentuais abaixo do registrado em maio de 2020, segundo pesquisa da Reuters/Ipsos divulgada nesta terça-feira (15). Os EUA vivem o pior surto de sarampo em 35 anos, com mais de 3 mil casos confirmados.

A pesquisa ouviu 1.143 adultos, com margem de erro de 3 pontos percentuais. A queda de confiança foi mais acentuada entre eleitores republicanos.

A cobertura vacinal infantil nos EUA caiu para 92,5%, abaixo dos 95% que os órgãos de saúde consideram necessários para a imunidade coletiva. O país já registra três mortes por sarampo na Pensilvânia, além de surtos em Utah e na Carolina do Sul.

Por que a confiança caiu

O presidente Donald Trump assinou decreto que reduziu de 17 para 11 o número de imunizações recomendadas pelo governo federal. O secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., ativista antivacina de longa data, lidera a reformulação da política de vacinação americana.

Apenas 19% dos americanos aprovam a resposta do governo Trump ao surto de sarampo, e 52% desaprovam, segundo a mesma pesquisa Reuters/Ipsos.

O Brasil também vê casos subir

O Brasil enfrenta problema parecido, por outro motivo. Aqui, os casos se concentram em bolsões de sub-vacinação e cidades de fronteira, não na desconfiança política que cresce nos EUA.

São Paulo somava 30 casos de sarampo no início de setembro, a maioria em pessoas não vacinadas.

O Amazonas confirmou 3 casos de sarampo vindos da fronteira com o Peru na mesma semana, em famílias sem histórico de vacinação.

O que acontece agora

No Brasil, o Ministério da Saúde mantém aberta a campanha de multivacinação, que somou 8 milhões de doses aplicadas até setembro, mas ainda usa só metade da meta em São Paulo. Nos EUA, não há campanha federal equivalente em resposta à queda de confiança.