O Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais (TRE-MG) tem até 14 de setembro para julgar os 1.810 pedidos de registro de candidatura apresentados no estado para as Eleições 2026. A propaganda eleitoral está liberada desde 16 de agosto, e o eleitor mineiro já vê nas ruas nomes cujo registro ainda não foi decidido pelo tribunal.
Segundo os dados da Justiça Eleitoral, o maior volume está nas disputas proporcionais. São 988 pedidos para deputado estadual e 749 para deputado federal.
Nos majoritários, são 17 candidaturas ao Senado, 17 primeiros e 17 segundos suplentes, e 11 a governador, com 11 a vice. Minas é o segundo estado em registros, atrás de São Paulo, que reuniu 2.537 candidaturas.
As mulheres são 635 das candidaturas mineiras, 35,08% do total, contra 33,8% em 2022. Pretos e pardos somam 943 pessoas, 52,1%, ante 50,27% quatro anos atrás. Os números acompanham o recorde de candidaturas femininas registrado no país.
O que acontece se o registro não for julgado a tempo?
Pela Lei das Eleições, o candidato com registro sub judice pode fazer campanha normalmente. Ele usa o horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão e mantém o nome na urna enquanto o processo não termina.
A diferença aparece na apuração. Nos cargos majoritários, a validade dos votos dados a esse candidato fica condicionada ao deferimento do registro por instância superior. Nos proporcionais, o mesmo vale para o cômputo dos votos em favor do partido ou da federação.
Casos concretos já tramitam no tribunal. O Ministério Público Eleitoral pediu a impugnação do registro de Eduardo Cunha, candidato a deputado federal por Minas, e o TRE-MG deu sete dias para o ex-presidente da Câmara se manifestar.
De acordo com o procurador regional eleitoral Tarcísio Humberto Parreiras Henriques Filho, documentação do Supremo Tribunal Federal aponta condenação à inelegibilidade por oito anos, imposta pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em 2019.
Há ainda um segundo pedido de impugnação contra o mesmo registro, apresentado por Roberta Lopes (PL), candidata a deputada estadual. Nenhum dos dois foi julgado.
Como o eleitor mineiro vota em outubro
Segundo o TRE-MG, Minas terá 16.377.659 eleitores aptos a votar, 10,32% do eleitorado brasileiro e o segundo maior colégio eleitoral do país. As mulheres são 52,48% desse total, e 2.083.019 pessoas têm 70 anos ou mais.
Belo Horizonte concentra 1.961.282 aptos, seguida por Uberlândia, com 538.195, e Contagem, com 463.243.
Serão dois votos para o Senado, porque duas vagas por estado estão em disputa. O eleitor precisa escolher dois nomes diferentes entre as 17 candidaturas mineiras. Se digitar o mesmo número nas duas vagas, a urna anula o segundo voto.
O tribunal já espalha os equipamentos pelo estado. São 55.813 urnas eletrônicas enviadas aos 853 municípios até 28 de agosto, distribuídas pelas 282 zonas eleitorais do interior, com outras 5.019 para as 18 zonas da capital.
A operação usa 95 caminhões, que devem percorrer mais de 70 mil quilômetros de rodovias mineiras.
A fiscalização da campanha também já começou. Minas registrou 89 denúncias de propaganda irregular pelo aplicativo Pardal nos primeiros dias, o quinto maior volume entre os estados, dentro das 1.103 denúncias recebidas pelo TSE.
O impulsionamento pago de conteúdo na internet lidera as categorias no país, com 339 registros.
A votação será em 4 de outubro.
Quanto tempo o eleitor fica sem saber quem é candidato de fato
O calendário dá ao TRE-MG até 14 de setembro para decidir sobre os registros, 20 dias antes da votação. Nesse intervalo, o eleitor mineiro acompanha a campanha diante de nomes cuja validade do voto ainda depende de decisão judicial.


























