A chinesa Huawei e a americana Qualcomm fecharam nesta segunda-feira (5) um amplo acordo plurianual de licenciamento cruzado de patentes em 5G, computação, inteligência artificial e redes. A Qualcomm também vai comprar patentes da Huawei registradas nos Estados Unidos, segundo as duas empresas.
É a primeira vez em 25 anos que o fluxo se inverte. Desde 2001, era a Huawei quem pagava licenças à Qualcomm, nunca o contrário.
Em 2020, as empresas resolveram uma disputa anterior, e a Huawei pagou à Qualcomm US$ 1,8 bilhão em taxas de licença atrasadas.
Segundo a Huawei, este é o primeiro acordo com a Qualcomm que cobre tecnologia 5G, e o primeiro em que ela licencia e transfere patentes de computação, IA e redes para a rival americana.
"Este acordo não apenas demonstra o valor das inovações da Huawei, mas também reconhece as contribuições fundamentais da Qualcomm para as modernas tecnologias de comunicação", disse Alan Fan, diretor de Propriedade Intelectual da Huawei.
A Huawei busca ampliar seu portfólio para diminuir a distância para a taiwanesa TSMC. A medida também ajuda a contornar as barreiras do governo Trump à exportação de chips, que já levaram a empresa a buscar inovação em design próprio.
Publicidade
A disputa por chips entre Washington e Pequim tem Taiwan no centro. O tema travou parte da agenda bilateral na recente cúpula entre Trump e o líder chinês Xi Jinping.
No Brasil, a Huawei já fornece tecnologia para projetos de IA, caso do supercomputador de R$ 1,3 bi no Rio de Janeiro.
A disputa de décadas por patentes dá lugar a uma parceria mais estreita, justamente quando os dois lados do setor de chips se reorganizam sob pressão geopolítica.
O que acontece agora
O acordo ainda depende de aprovações regulatórias em diferentes países, e as empresas não informaram prazo para a conclusão. Os termos financeiros também não foram revelados.
A Huawei diz que já soma US$ 6,9 bilhões em contratos de licenciamento.





























