O chefe da inteligência alemã, Martin Jaeger, disse nesta segunda-feira (5) que a Alemanha corre risco de conflito com a Rússia. Segundo ele, Moscou trava uma "guerra de sombra" contra democracias europeias, com ameaça real de novos ataques dentro do país.

Jaeger discursou durante a audiência anual de chefes de inteligência no Parlamento alemão. A Rússia já testa a reação alemã, segundo ele. Em agosto, um drone com explosivos foi achado perto do aeroporto de Leipzig.

As autoridades alemãs já haviam alertado, em ocasiões anteriores, que a Rússia conduz uma campanha híbrida de ataques com drones e operações cibernéticas contra o país.

Berlim atribuiu o episódio a Moscou, perto de aviões ucranianos. A acusação ecoa o alerta do presidente francês Emmanuel Macron, que afirmou que a Rússia escala uma guerra híbrida contra a Europa.

A Rússia está nos testando e observando atentamente como lidamos com essa situação. Do ponto de vista da liderança do Kremlin, qualquer sinal de hesitação é um convite para aumentar ainda mais a pressão sobre a Alemanha.

"Moscou está apostando em nossa fraqueza. Precisamos reagir", completou Jaeger, acrescentando que a Alemanha precisa se preparar para mais interferências e tentativas de intimidação, incluindo ameaças de ataques nucleares.

Putin respondeu às acusações europeias na semana passada. O presidente russo afirmou, na quinta-feira (1º), que a Rússia "não tem intenção de atacar ninguém", mas avisou que, caso o país sofra uma agressão, "não teremos escolha a não ser responder".

O risco é maior nos países bálticos?

Não há indicação de um ataque russo de grande escala contra o território da Otan, segundo Jaeger, mas o chefe do BND afirmou que a Rússia pode testar os limites da aliança no Báltico com atividades militares de baixa intensidade, numa "zona cinzenta" de ameaça.

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Jaeger comparou a situação da Alemanha à de outros parceiros da Otan nos países bálticos, que vivem na mesma "zona cinzenta" de ameaça. Segundo ele, a Rússia observa a reação de cada país antes de ampliar a pressão.

O alerta chega junto de um salto no orçamento de defesa alemão. O Ministério das Finanças elevou o orçamento militar de 2026 a cerca de € 119,7 bilhões, quase o dobro do valor de 2023 (€ 63,5 bilhões).

O investimento reflete a avaliação de que a ameaça russa deixou de ser hipotética para a Alemanha, hoje a maior gastadora de defesa da Europa, segundo o instituto britânico IISS.

O que acontece agora

A Alemanha segue reforçando o orçamento militar rumo à meta da Otan de 5% do PIB até 2035, com o objetivo de tornar o Bundeswehr "o mais forte da Europa convencional". A aliança já colocou um general alemão no comando militar.

Jaeger não deu prazo para a escalada.