O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) fechou o prazo de registro com 20.506 pedidos de candidatura para as eleições de 2026, quase 8,7 mil a menos que em 2022. O perfil majoritário segue sendo de homens. Eles são 65% dos candidatos, contra 35% de mulheres.
Entre as candidaturas registradas, 48,68% se declararam brancas, 36,24% pardas, 13,63% pretas, 0,93% indígenas e 0,52% amarelas, segundo levantamento do TSE citado pelo Senado Federal. Os empresários são a ocupação mais comum entre os postulantes, com 2.576 candidatos declarando essa profissão.
A disputa mais concorrida é a de deputado distrital, com 17,5 candidatos por vaga. Para deputado federal são 14,88 candidatos por cada uma das 513 cadeiras, e o PL lidera o número de postulantes ao cargo, com 534 registros.
Por que a fatia feminina ainda incomoda
Desde 2009, a Lei das Eleições obriga cada partido a preencher pelo menos 30% das candidaturas proporcionais (para deputado e vereador) com pessoas de cada gênero. Em 2026, as mulheres somam 34,8% das candidaturas, o maior percentual proporcional já registrado no país.
O número é recorde, mas segue perto do piso da lei, seis pontos percentuais acima do mínimo obrigatório. Mulheres são maioria do eleitorado brasileiro e ainda assim continuam minoria nas candidaturas dezessete anos depois de a cota entrar em vigor.
O TSE tem um mecanismo para coibir o descumprimento disfarçado da regra. É fraude à cota de gênero a candidatura com votação inexpressiva, prestação de contas zerada ou padronizada, e ausência de atos efetivos de campanha.
São sinais de que a candidatura existiu só no papel, para o partido fechar a conta dos 30%.
Onde a disputa está mais concentrada
Para os 26 governos estaduais e o Distrito Federal, são 195 candidaturas, queda de 12,5% ante 2022. O Piauí lidera a corrida ao Executivo estadual, com 12 postulantes, seguido por Minas Gerais, com 11.
No Senado, 314 nomes disputam 54 vagas, e 32 senadores no exercício do mandato tentam a reeleição. Para a Presidência, são 13 candidatos registrados, um a mais que em 2022, com patrimônio declarado que vai de R$ 33 mil a R$ 7,4 bilhões.
A diversidade também aparece em outras frentes. As candidaturas indígenas somaram 191 pedidos, o maior número desde 2014, quando a Justiça Eleitoral passou a coletar o dado de cor e raça.
As candidaturas de pessoas LGBT+ também bateram recorde em 2026, espalhando-se por mais partidos que nas eleições anteriores.
O que separa a cota de virar paridade
A lei fixa o piso de 30% desde 2009, mas não define quando o país deve caminhar para os 50%. As mulheres formam a maioria do eleitorado e ainda assim seguem perto do mínimo legal nas candidaturas.
O ritmo de avanço, de eleição em eleição, é o que vai dizer se 2026 é um novo patamar ou só mais um recorde apertado.


























