O Senado eleito no domingo (4) terá ao menos 49 parlamentares favoráveis ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) a partir de 2027, segundo levantamento do Estado de Minas confirmado pela Folha de S.Paulo. Faltam ainda votos para o afastamento de um ministro.
A conta soma os 14 senadores com mandato até 2030 que já defendem a abertura de processos contra ministros do STF aos 35 eleitos no último domingo que também apoiam a medida.
Para aprovar o afastamento de um ministro são necessários 54 votos, dois terços das 81 cadeiras da Casa. Com 49 parlamentares favoráveis, a bancada pró-impeachment fica a cinco votos do mínimo.
Por que o número 49 preocupa o STF mesmo abaixo do mínimo
O número 49 não é aleatório. Em setembro, o líder da oposição Rogério Marinho (PL-RN) articulava mudar o regimento do Senado para que exatamente 49 assinaturas bastassem para abrir um processo automaticamente, sem depender do aval do presidente da Casa.
Hoje, esse rito depende de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que segura os pedidos contra ministros do STF. "Na hora que tiver 49 assinaturas [...] isso seja feito automaticamente, independentemente da vontade do presidente da Casa", disse Marinho.
Se a mudança de regimento avançar, o Senado que toma posse em 2027 já nasce com votos suficientes para destravar pedidos sozinho, sem precisar do aval de Alcolumbre.
Entre os recém-eleitos favoráveis à medida estão Michelle Bolsonaro e Bia Kicis, eleitas com recorde de votos pelo Distrito Federal, além de Guilherme Derrite, por São Paulo, e Carlos Portinho, pelo Rio de Janeiro.
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O que muda na correlação de forças do Senado
O PL será a maior bancada da Casa a partir de 2027, com 28 parlamentares ao todo, 19 deles eleitos só neste domingo, quase três vezes mais representantes do que o PT, o segundo maior partido, com nove senadores.
Dos recém-eleitos pró-impeachment, 29 foram apoiados pelo candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que indicou uma lista com 48 nomes e emplacou 60% deles.
A força da bancada pesa na disputa pela presidência do Senado, tema já apontado como decisivo por cientistas políticos. As chances de Alcolumbre ser reconduzido minguam, e crescem as de Rogério Marinho ou Tereza Cristina (PP-MS).
O ponto em aberto
Segundo a Folha, ministros do STF já veem risco concreto de um pedido de impeachment avançar no primeiro semestre de 2027, e dois deles avaliam buscar diálogo com alas mais moderadas do PL.
O momento decisivo chega em fevereiro, quando o novo Congresso toma posse e elege a mesa diretora do Senado, decisão que deve definir se os pedidos represados contra ministros do STF finalmente andam.
A aritmética de hoje deixa o afastamento de um ministro fora de alcance, a cinco votos do mínimo. Mas a disputa pela presidência da Casa e uma eventual mudança de regimento podem reduzir essa distância sem que nenhum novo voto seja conquistado nas urnas.





























