O preço do milho no mercado brasileiro caiu ao menor nível desde agosto, enquanto a soja resiste à queda internacional. A saca de 60 kg de milho em Campinas (SP) recuou de R$ 69,65 para R$ 68,53 entre 25 de setembro e 2 de outubro.
Os dados são do Cepea, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada.
A queda tem duas causas, aponta o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). Parte dos compradores brasileiros já tem estoque suficiente e está fora do mercado.
E a oferta deve crescer: a Conab projeta safra recorde de grãos de 144 milhões de toneladas de milho em 2025/26.
"A combinação de estoques elevados, produção americana acima de 400 milhões de toneladas, avanço da colheita, exportações menores, dólar valorizado e expectativa de safra recorde na Argentina mantém a pressão sobre Chicago", disse Luiz Pacheco, analista da TF Consultoria Agroeconômica, à CNN Brasil.
O milho negociado em Chicago recuou mais de 5,5% na semana anterior, após dado de estoque dos Estados Unidos acima do esperado. É uma reviravolta rápida: em agosto, o preço do milho tinha subido 5,8% mesmo com a safra recorde já prevista.
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Por que a soja não cai junto com o milho?
A soja resiste porque o Brasil leva vantagem tarifária sobre os Estados Unidos na disputa pela China. A saca de 60 kg no porto de Paranaguá (PR) valia R$ 159,94 em 2 de outubro, com queda de apenas 0,60% no dia.
A China aplica tarifa de 13% sobre a soja dos Estados Unidos, contra 3% sobre a soja brasileira, segundo a União Brasileira do Agronegócio (Udop).
Entre janeiro e maio deste ano, o país asiático absorveu 70% de todo o volume de soja exportado pelo Brasil, de acordo com a Forbes Agro — o mesmo movimento que já tinha feito a soja brasileira ganhar espaço na China em setembro.
Em setembro, Estados Unidos e China fecharam uma trégua tarifária de US$ 30 bilhões numa cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, mas sem novos anúncios de compra de soja americana. A demanda chinesa pelo grão segue, por ora, voltada ao Brasil.
Os números ajudam a entender por que os dois grãos, pressionados pela mesma queda nas bolsas internacionais, caminham em direções diferentes no bolso do produtor brasileiro.
O que acontece agora
A segunda safra de milho, que soma a maior parte da produção nacional, ainda está em formação. A Conab projeta 112,1 milhões de toneladas para essa etapa, que entra em colheita nos próximos meses.
No comércio exterior, o Ministério da Agricultura registrou US$ 38,1 bilhões em exportações do agro no primeiro trimestre, recorde para o período.
Projeções do setor apontam que o Brasil pode fechar o ano com US$ 180 bilhões exportados, superando a expectativa para os Estados Unidos.





























